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Concurso de ideias para renovar a Confiança

Até poderia ser uma boa ideia levar por diante um concurso destes a nível nacional. Não é o caso do presente artigo de opinião. Este refere-se ao reuso das antigas instalações da Fábrica Confiança – Saboaria e Perfumaria, que vem dos finais do século XIX, inaugurada que foi em 12 de outubro de 1894.

Sampaio Castro
26 Set 2012

A figura «Concurso de Ideias» tem por finalidade buscar as melhores soluções para ocupar um espaço urbano/urbanizável, sugerindo valências a alojar, com vista a servir a população em geral.
Tem um duplo efeito. A Câmara Municipal de Braga não despende dinheiro (a não ser nos prémios atribuídos), por um lado; e consegue obter uma série de propostas/colaborações para reabilitar o edifício em ruínas, por outro. Passa a ter um programa funcional, que cumpriu os objetivos do respetivo regulamento estipulado.
Apresentaram-se ao concurso 77 equipas, o que demonstra, mais uma vez, que Braga é uma cidade atrativa e com interesse.
Os trabalhos efetuados foram expostos no Museu D. Diogo de Sousa durante o mês de agosto. Estive presente na abertura desta mostra (dia 1, 4.ª feira ), sessão que é sempre «barulhenta, discursiva e interpelativa», no bom sentido, porque voltei lá mais duas vezes, de modo a inteirar-me, sossegadamente, do que estava em causa.
Surpreendeu-me, agradavelmente, o número de concorrentes, inclusive estrangeiros, que quiseram contribuir nesta aposta. Emprestaram múltiplas achegas que obrigaram a uma cuidadosa seleção. Daqui, a coordenação geral do projeto de execução, obviamente a cargo de um(a) arquiteto(a), vai ter a tarefa simplificada, pois dispõe de uma panóplia de criatividade facilitada, embora deva «ler» o que disseram todas as equipas.
De salientar que se trata de uma intervenção urbanística no ângulo da rua Nova de Santa Cruz com a da Quinta da Armada, equidistante do Polo da Universidade do Minho e do Instituto Ibérico de Nanotecnologia, a exigir regeneração urbana do local e reabilitação capaz do edifício antigo, sem esquecer o tratamento adequado da área do exterior envolvente, que tem um peso substancial.
Há aspetos a realçar que parecem não oferecer dúvidas, a saber:
– A cidade vai tirar bastantes benefícios através desta iniciativa de revitalização, que irá dinamizar a economia local, alavancar talentos (que surgirão) e desenvolver a cultura, em geral;
– Há espaços que estão definidos, nomeadamente um «hostel» (albergue de juventude), um museu de mostra da indústria bracarense, de artefatos e de produtos tradicionais da época, lojas comerciais, ninho de empresas e de atração do empreendedorismo, novas tecnologias e «coworking» (que é uma tendência mundial para um novo estilo de trabalho em grupo, partilhando trocas de ideias e experiências);
– O espaço público envolvente ao edifício, que rondará os 6.500 metros quadrados, vai ter um tratamento adequado, de usufruto múltiplo.
Parece-me, pois, haver duas vertentes a ter em conta:
– Atendendo ao número de sugestões apresentadas, a resultante final, até porque é pretendido que «deve caber um pouco de tudo», terá que prestar atenção a ocupações, quer no espaço interior como no exterior em redor, de «escolas para atividades várias desde artistas plásticos a professores de línguas, de músicos a jornalistas, de cozinheiros a cabeleireiros» etc., a entretenimentos diversos;
O projeto de execução deverá ser suportado por um estudo económico que abranja o custo da construção com rigor, bem como a sustentabilidade do empreendimento e, preferencialmente, com retorno financeiro, o mais rentável e lucrativo possível.
E não haverá necessidade de qualquer discussão pública, uma vez que qualquer debate ficará prejudicado com os procedimentos havidos para esta intervenção urbanística.
Finamente, espera-se que esta recuperação das antigas instalações da Fábrica Confiança venha a ser um êxito, um polo central de cultura urbana, a atrair um número de visitantes estimado em 100.000 pessoas.




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