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A responsabilidade dos militantes do PSD nesta crise

O que falhou na actual crise política? Falharam muitas coisas, a começar pela falta de competência política dos que tomaram conta do poder, sobretudo de 2001 para cá. Guterres, um homem sério e inteligente, mas que não estava talhado para a governação, verificou que o estado das contas públicas estava “um pântano” e que não conseguia pôr a casa em ordem. E foi-se embora. Veio Durão Barroso, ambicioso de poder e nada fez e, logo que pôde, foi-se embora também. Santana Lopes nem aqueceu o lugar. E foi melhor assim.

M. Ribeiro Fernandes
23 Set 2012

Veio Sócrates, o grande manipulador do poder e gastador dos dinheiros públicos. Não tinha preparação técnica nem carácter para ser governante. E foi o fim… Muita sorte ter saído antes de terminar o mandato, senão, a dívida pública ainda ia subir mais, por causa da sua megalomania de obras públicas, que não eram nada inocentes…
2. Falharam os partidos, com o agravamento do carreirismo político, que tomou conta do aparelho dos partidos e tende a agravar-se, sem olhar a competência nem a preparação pessoal. É o assalto ao poder para se governarem na vida. Que o diga Relvas. Que o diga Coe-
lho. Que o diga Seguro. E tantos outros que por aí pululam. Nisto, PSD e PS estão em circunstâncias semelhantes. Nas eleições internas do PSD, Relvas e Passos Coe-
lho conseguiram montar um sindicato de votos que arrebanhou a maioria. Venceu a eleição interna e afastou as melhores elites. E o Governo foi feito por gente sem qualificação para governar. Os resultados estão à vista. Os militantes do PSD são corresponsáveis pelo que se passa agora.
3. Falhou a contenção nas despesas do Estado. E ainda se continua a gastar como se nada houvesse. Apesar da grave crise, o Governo continua a ter ao seu serviço uma frota de 208 carros e o primeiro–ministro uma frota de 31 carros (ele diz que reduziu para 22), tudo de luxo, enquanto o povo paga impostos para sustentar tudo isto. Foi este espírito de mania das grandezas que levou o Estado ao estado em que está. Foi assim que contraímos empréstimos, a juros elevadíssimos, que o povo tem de pagar. Perante o desastroso contrato feito pelo PS com a troika, porque o Estado estava com a forca na garganta, o Governo só pensa agora em sacar dinheiro, como se o povo fosse um saco sem fundo, mas não se preocupa em responsabilizar quem esbanjou o dinheiro nem cortar nas despesas nem criar emprego para o povo poder pagar impostos. O Estado corta de um lado e as Autarquias cortam do outro. Ambos sacam o mais que podem. E o povo fica entre dois fogos, sem meios para onde fugir.
3. Falhou o bom senso político. O Governo cometeu a mais ingénua das medidas gravosas: descontar no salário dos trabalhadores a taxa que os patrões são obrigados a pagar para a Segurança Social. Inverteu-
-se simbolicamente a lógica do sindicalismo. De tão impreparados que são para governar, nem se aperceberam da revolta que isso ia causar. E foi então que estalou a paciência do povo, que veio para a rua, a 15 de Setembro. Esta medida é politicamente incendiária e nada resolve: os empresários já dizem que vão devolver esse dinheiro aos trabalhadores. Perante isto, se o Governo não voltar atrás, fica ridicularizado.
4. Falhou a relação política de confiança para a governação: neste momento, o Governo já não tem confiança política para tomar decisões. Tudo o que fizer será olhado com revolta e rejeição. Pode continuar em funções, mas já perdeu credibilidade e aceitação para governar. A decisão de poder já saiu das suas mãos e passou para o Conselho de Estado e para o Presidente da República, que Passos, com o seu complexo de inferioridade, tanto quis afrontar.
E não é com remodelação que o Governo vai recuperar a credibilidade, porque o primeiro a remodelar teria de ser o Primeiro-ministro. Passos não tem (nem nunca teve) preparação nem qualidade para governar. O país não é a JSD. Vão ser difíceis e inseguros os tempos que aí vêm.
5. Falhou a escolha do PSD, como era fácil de prever. A irresponsabilidade dos militantes do PSD ao deixarem-se manipular por Relvas e seus apoiantes para votarem neles caiu-lhes em cima da cabeça. E, agora, em cima da cabeça de todo o povo. Cabe aos militantes do PSD uma pesada responsabilidade nesta crise. Os partidos têm de acabar com o carreirismo político e serem capazes de gerar figuras competentes para governar.
6. Sintomático que o Parlamento tenha sido o centro da fúria dos manifestantes. É que ele representa o centro da promiscuidade entre a política e negócios, dos privilégios sociais dos Partidos, da degeneração dos partidos. É sintomático que 83% da população considere que o Parlamento e os Partidos são as duas entidades mais corruptas em Portugal. Mas, aí ninguém mexeu… Num país como o nosso, haver 50 deputados já era demais, mas estão lá 230.
Gritou-se muito contra a troika, que nos emprestou dinheiro para viver, numa situação de emergência, em vez de gritarem contra quem assinou o contrato com eles. Esses é que devem ser julgados e condenados. O povo não pode continuar a deixar-se iludir e a desculpabilizar quem é verdadeiramente culpado.




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