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O peso da ciência na construção do homem novo

Por razões de brevidade, síntese e clareza, começo com esta afirmação: “A pessoa, tida como a enviada do seu ser autêntico, tem, por missão intransigente, de estabelecer e restabelecer relacionamentos consigo mesma, com o outro, com o mundo (no seu aspeto genérico) e com Deus”.

Benjamim Araújo
22 Set 2012

Os fundamentos de tais relacionamentos são, no seu caráter de globalidade, as relações de vida, amor, verdade, sabedoria, paz, felicidade. A fonte original de todas estas relações é o nosso autêntico ser, que se afirma também como o destino obrigatório dos relacionamentos, sem exclusão.
Para sabermos viver, logo desde o início, a vida quotidiana em todos os seus aspetos e dimensões, creio ser necessário elaborar uma cartilha acessível, que nos elucide sobre a estrutura do nosso autêntico ser nos seus aspetos de globalidade, identidade e autenticidade; que nos incentive a seguir as suas ordens, que para nós são deveres.
Confesso-me um obcecado por esta fonte. Tal fonte, apreendida na sua estrutura metafísica, convida-nos a seguir os caminhos da flexibilidade mental, da aceitação, abertura, compreensão, cooperação e colaboração entre todos e entre tudo, sem exceção.
Confesso-me um obcecado por esta fonte, manifestadora da imagem do Criador, devido ao reconhecimento da sua autoridade e autonomia ônticas.
Em cintilações de cultura, é brilhante e fica-nos bem, reforçarmos as nossas opiniões, apoiados em autoridades célebres e prestigiosas, oriundas dos campos científico, filosófico e doutrinário. O nosso ser, na sua plena autoridade e sabedoria, afirma que é em si mesmo que se sacia, naturalmente, e em toda a sua plenitude, a nossa sede de vida, verdade e amor.
Confere-se tanto ênfase à solidariedade, unidade, fraternidade, cooperação e colaboração. Contudo, se não estão em sintonia com o nosso ser, desabrochará a fragmentação, o dualismo, a imaturidade, a fraqueza mental e as vivências desajustadas.
Foram tantos os cientistas, filósofos e doutrinadores que construíram sumptuosos palácios, refletidos em suas teorias e sistemas. Desde o início, habitaram neles tantas esperanças e otimismos. Mas as esperanças e otimismos cedo ruíram. E os palácios tornam-se inóspitos, pobres em fraternidade e solidariedade e reduziram-se a escombros. Tal tremor de terra colhe a sua génese nos desajustamentos, nas desconexões e faltas de sintonia com a autêntica fonte, geradora de vida, de verdade e amor. Esta fonte regurgita, também, no peito de Jesus Cristo.
Vou pedir desculpa aos cientistas, se teórica e academicamente, fugir do conceito tradicional de ciência como o conhecimento racional das causas, dos condicionalismos e circunstâncias, que esporeiam os acontecimentos observáveis.
Iluminado por outra fulgurante estrela, vou afirmar que a ciência põe a descoberto a índole do mundo na sua generalidade. Quero, com esta visão, sem nada excluir, alargar mais a abertura da ciência e afirmar que é um valor universal, mediante o qual o indivíduo, além de melhorar, possivelmente, as suas condições de vida, se pode construir como homem novo ou homem bom. Através da vivência deste valor, a pessoa está mais apta a instituir relacionamentos em verdade, vida e amor com a sua vida existencial, social e religiosa, integrados como estão no mundo espacial e temporal. Contudo, não quero olvidar os relacionamentos com o seu ser autêntico e com Deus.
A ciência é uma empolgante e maravilhosa construção da mente, a partir da observação. E a mente, em seus pensamentos, é o espelho da energia vital do nosso ser autêntico. Este é vida. A ciência, então, em momento algum, pode estar separada da vida. O ser autêntico é verdade, amor, paz e felicidade. A ciência, então, em momento algum, pode deixar de se relacionar com a verdade, amor, paz e felicidade.
É deste alicerce (o ser autêntico) que se erguem todas as minhas afirmações. Por ordem da autoridade da ciência, temos de estabelecer uma plena fraternidade com o mundo (na sua generalidade) e com Deus.




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