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Breve apontamento sobre filosofia política

A filosofia política convida-nos a pensar no papel das pessoas na sociedade. Talvez possamos falar de três correntes dominantes nestes últimos séculos XX e XXI. São eles o coletivismo, o individualismo e o personalismo.

Isabel Vasco Costa
21 Set 2012

A tese coletivista defende a primazia da sociedade sobre o indivíduo e tem como representantes mais conhecidos o marxismo, o nazismo e o fascismo. São bem conhecidos os sofrimentos causados a multidões de pessoas que viveram sob estes regimes. O seu principal erro está na absoluta primazia da sociedade sobre a pessoa que pode e deve ser sacrificada (eliminada até) se a sociedade (governantes) assim o determinar.
O individualismo surgiu como reação ao coletivismo e  defende a tese oposta: cada indivíduo tem o direito de se preocupar apenas com os seus interesses, esquecendo os da sociedade. O resultado é a generalização da falta de solidariedade e do aumento do egoísmo. Cada um deve resolver os seus problemas sozinho e bastar-se a si próprio. Surge, assim, uma desarticulação social. Cada um considera que só tem direitos e não deveres para com a sociedade. Dar prioridade aos idosos, ceder o lugar a uma senhora grávida que viaja de autocarro, etc., deixaram de ser atitudes comuns das pessoas bem educadas e necessitam ser legisladas como fica patente mediante os avisos nos transportes públicos.
O personalismo comunitário foi desenvolvido por Jacques Maritain e Emmanuel Mounier e surgiu como alternativa ao coletivismo e ao individuaismo. Baseia-se em dois princípios: 1) a primazia social da pessoa que é o ser digno e valioso por excelência e 2) o dever de solidariedade por parte da pessoa que se dá aos outros para alcançar a plenitude pessoal. Na prática, a sociedade pode pedir grandes sacrifícios às pes-
soas, mas deve sempre respeitar a sua dignidade. O personalismo comunitário influenciou bastante constituições de vários países e ainda a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1), embora, na prática, esses direitos sejam esquecidos e até violados com leis que permitem o aborto, o divórcio, a fecundação “in vitro”, a eutanásia, etc..
Novas ideias continuam a surgir neste campo e fica-nos sempre a esperança de chegarmos a conseguir um convívio, entre homens e nações, que respeite cada ser como pessoa e a sua dignidade, o que inclui a sua capacidade de se exceder em generosidade.

(1) Esta declaração foi proclamada e adotada pela Assembleia das Nações Unidas a 10 de dezembro de 1948. Reproduzimos alguns artigos por estarem relacionados com o tema:
I)Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
V) Ninguém será submetido à tortura, nem tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
XVII-2) Ninguém será arbitrariamente privado da sua propriedade.




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