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Que fazer com estes milhões?

Que fazer com estes milhões?Escrevo na tarde de quarta-feira, antes do jogo com o Cluj, naquela que é apenas mais uma participação do SC Braga numa grande noite europeia de Champions League.

Manuel Cardoso
20 Set 2012

Ao contrário do que se passava noutras ocasiões, não sinto qualquer ansiedade perante a aproximação da hora do jogo. Na verdade, a grande vitória já a conseguimos, que foi a entrada nesta fase da competição. Mas não é só isso; é que algo me convenceu já que não é necessário ter receio porque sabemos de antemão que, independentemente do resultado, a nossa equipa vai fazer um grande jogo.
Podemos até ter o azar de não ganhar, até porque o adversário tem muito valor. Mas há certezas que temos de antemão: vamos ter uma defesa coriácea, Éder vai fazer esquecer Lima, Mossoró vai fazer uma grande exibição e vamos ter uma assistência numerosa, que só não encherá o estádio porque os bilhetes são realmente caros, mas que criará um ambiente de festa para mais uma noite inesquecível.
Independentemente do resultado que o leitor já conhece, todos sabemos que o nosso clube conseguiu já praticamente “pagar a época” com o dinheiro ganho na Champions League. Se somarmos a isso o que embolsámos com a venda do passe de Pizzi, mais algumas transações menores, é fácil concluir que estamos numa invejável situação de superavit, totalmente em contraciclo com o que se passa na maioria dos outros clubes portugueses.
O que eu questiono neste momento é o que fazer com estes ganhos. Não sei qual a opinião da SAD mas há uma área em que eu gostava de ver o SC Braga investir mais: nas modalidades amadoras. Não percebo nada de finanças, por isso não sei se é fácil fazer transitar lucros da SAD (que gere o futebol profissional) para o clube (que gere as modalidades). Mas acho que o atletismo, o vólei, o futsal, a natação, o boccia, o bilhar, o basquetebol, etc. podiam e mereciam ser mais apoiados e beneficiar desta fase de prosperidade que a SAD tão bem soube construir.
Através das modalidades podíamos conseguir atingir o objetivo que, a meu ver, é o aspeto menos positivo dos últimos anos: a aproximação do clube aos cidadãos. Proporcionar aos bracarenses a prática de desporto, principalmente aos jovens, seria o melhor meio de encaminhar para o clube a simpatia e o apoio dos bracarenses relativamente ao nosso emblema.
Todos nós sabemos como o nome do Sporting Clube de Braga muito deve, por exemplo, à secção de atletismo que, nos seus tempos áureos, levou o nosso emblema aos píncaros do desporto europeu e mundial, deixando na história nomes brilhantes como Conceição Ferreira, Albertina Machado, Mário Silva, a treinadora Sameiro Araújo e tantos outros. E tantos milhares de bracarenses que puderam orgulhar-se de praticar atletismo com o símbolo ao peito! E tantas famílias que se orgulharam de ver os seus filhos correrem pelo Braga e com o Braga! E isto não tem preço! É preciso fazer renascer esses tempos. Para além do dinheiro da Champions, é preciso vontade. Quer-me parecer que é mais este segundo aspeto que tem faltado.




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