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A recuperação dos verdadeiros valores humanos (25)

Saber é acumular conhecimentos, experimentar, participar, possuir, apreciar, pensar e refletir racionalmente sobre tudo aquilo que o mundo nos oferece. Por isso, a vida mede-se pelo número de coisas de que temos consciência. Ela é a combinação bem definida de alterações heterogéneas, a um tempo simultâneas e sucessivas, em concordância com coexistência e sequências externas. A vida é eficiência, força e harmonia com o meio ambiente.

Artur Gonçalves Fernandes
20 Set 2012

Ela nunca pode encerrar em si qualquer espécie de injustiça, de inveja, de exploração e de violação da dignidade humana ou dos direitos de qualquer homem. Quem tem a responsabilidade da gestão das empresas, das instituições, das autarquias e da governação dos países não pode ter acepções de pessoas, atitudes de “compadrios” ou aplicação inadequada da justiça social que fira a dignidade humana.
O homem moderno, apesar do progresso científico, é um ser obsoleto, frustrado e fracassado. Há mais seres humanos lançados para a sucata pela vida moderna do que em épocas anteriores, mesmo daqueles períodos mais críticos das guerras mundiais, dos extermínios étnicos e das perseguições religiosas. Basta olhar ao nosso redor e analisar os atentados suicidas, os massacres humanos regionais, as leis e as normas que os governantes decretam e que limpam os exíguos recursos dos pobres trabalhadores que são extorquidos com novos impostos, novas contribuições e cortes nas deduções fiscais que os sugam até ao tutano do seu já depauperado poder financeiro e humano, enquanto que os privilegiados continuam a banquetear-se com lautas mordomias. São sempre os mesmos a pagar a crise, ou seja, aqueles que nada ou pouco contribuíram para ela. E o mais grave é que tais medidas só vêm agravar a situação de afundamento em que nos mergulharam. Será que os responsáveis não veem ou não sabem? Reflitam ao menos com estas manifestações pacíficas e ordeiras que o povo vem fazendo.
O homem não evoluiu para um estádio mais alto do que o que viveu nas épocas anteriores. O ser humano continua obsoleto e até retrocedeu ao negar ou pôr em causa o conceito do “bom”, do “natural”, dos princípios éticos, morais e cívicos. Onde mora a tão apregoada solidariedade ou equidade de sacrifícios? Continua a exploração dos fracos, dos desprotegidos, dos pobres e dos mais necessitados. As próprias ciências humanas (Psicologia, Sociologia e Economia) são obsoletas, na medida em que não relevam devidamente tudo o que é básico e natural no homem e é inerente à sua constituição. Apenas desenvolvem as suas conclusões nos aspetos físicos, psíquicos e sociais mas unicamente numa ótica meramente terrena, olvidando as vertentes espirituais e transcendentes. Continuamos com a predominância da visão económica e social de um mundo em que dez por cento vive na opulência, ao passo que noventa por cento leva uma vida pouco mais que vegetativa.
A primeira lição da arte de viver é adquirir habilidade para distinguir o justo do injusto, o importante do insignificante, o bom do mau, e atuar conforme a conclusão a que maduramente chegarmos. A vida é alegria e tristeza, esperança e desespero, lágrimas e sorrisos, derrota e vitória, sucesso e fracasso. Só os que choraram sabem sorrir, só os que foram derrotados sabem ser humildemente grandes na vitória e só os que foram vítimas da necessidade sabem o que significa a abundância. Omar Bradley escreveu: “Descobrimos o mistério do átomo e desprezamos o Sermão da Montanha. O mundo atingiu brilho sem sabedoria, poder sem consciência. Temos um mundo de gigantes nucleares e criancinhas sob o aspecto ético. Sabemos mais de guerra que de paz, melhor como matar que como viver”. Não se aprendeu o mais importante – como nos comportarmos para podermos viver em paz, em harmonia e em condições que respeitem a dignidade humana e facultem uma sobrevivência adequada.




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