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A eucaliptização do poder

Seja na administração pública, seja na privada, a concentração do poder numa só pessoa (autocracia) ou num grupo de pessoas (oligarquia) gera sempre excessos, desmandos e nepotismos. E, mais evidente ainda, impede o aparecimento e afirmação de novos rostos e novas formas de gestão. É o que se chama a eucaliptização do poder que acaba por estiolar e secar tudo à sua volta.

Dinis Salgado
19 Set 2012

Mesmo em democracia o facto acontece, sobretudo com o prolongamento, a eternização dos homens no poder o que, até há bem pouco tempo, era permitido, por exemplo, na lei autárquica. Daí a designação de dinossauros àqueles presidentes de Câmaras Municipais que se mantêm longo tempo ao leme da instituição, o que a atual lei contraria, podendo, apenas, exercerem três mandatos consecutivos (12 anos).
E não me venham com essa treta de que o povo é que escolhe, o povo é quem mais ordena e, se quer o mesmo presidente no poder anos a fio, a democraticidade e legitimidade estão garantidas. Basta olharmos à nossa volta e observarmos o crescimento, como nunca, do caciquismo e do clientelismo que são fenómenos que ajudam à perpetua-ção no poder. E isto não acontece obviamente em sociedades com elevados índices de literacia e cultura que não se deixa corromper nem manipular, o que não é justamente o caso da sociedade em que vivemos.
Ora, a Câmara Municipal de Braga, gerida desde 1976 (36 anos) pelo mesmo presidente é, a meu ver, um exemplo de concentração, de hegemonia de poder. E isto, claramente com a escassez e ausência natural de renovação, criatividade, mobilização e inovação na administração e gestão da coisa pública e a obliteração dos esperados delfins à sucessão.
Há alguns meses, para a presidência da concelhia PS local, houve confronto entre duas listas: a vencedora, herdeira do mesquitismo, embora com laivos de uma evolução na continuidade e a vencida que protagonizava a necessária mudança, renovação e dinamização das estruturas partidárias. Todavia, quer numa quer noutra das listas concorrentes, a juventude, embora em posição secundária, aparece na disputa pelo poder e dando ares de refrescamento e rejuvenescimento. Só que, creio, mal preparada, orientada e formatada para o exercício das funções, devido ao referido fenómeno de eucaliptização.
Penso que o PS local, dada esta disputa musculada entre fações, só tem a lucrar se mantiver eleições primárias na escolha do candidato-à-presidência da Câmara Municipal, em 2013. E, digo mais, essa escolha devia ser alargada, para além dos militantes, a simpatizantes e interessados nos destinos do nosso concelho.
Porque, o poder local tem dinâmicas, especificidades e virtualidades tão próprias que a escolha de um candidato a presidente de Câmara não devia depender exclusivamente do aparelho partidário e, muito menos, da presidência do partido. Isto leva a que, do modo como essas escolhas têm sido feitas, a participação e motivação do povo pouca mais é que nenhuma, limitando-
-se à votação nas urnas e, muitas vezes, escolhendo um candidato que lhe é estranho e em quem pouco ou nada confia.
O que caso é para praguejarmos:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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