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A recuperação dos verdadeiros valores humanos (23)

As oportunidades para adquirir riqueza material hoje são maiores que nunca para uma certa casta de homens. Só que, na ânsia de as amontoar, esquecem-se dos autênticos ideais humanos, dando demasiada importância aos ganhos de ordem meramente terrena. A ganância não os deixa concluir que há outras coisas mais relevantes. Isto acontece porque resistem à consciência que os quer dirigir para o reconhecimento dos valores universais humanos que eles teimam em desprezar.

Artur Gonçalves Fernandes
6 Set 2012

O próprio Einstein escreveu com muita convicção: “É fundamental que o estudante adquira uma compreensão e uma percepção nítida dos valores. Tem de aprender a ter um sentido bem definido do belo e do moralmente bom. De outro modo, com o seu conhecimento especializado parece-se mais com um cão bem treinado que com uma pessoa harmoniosamente formada”. Estas palavras são duras, mas profundamente verdadeiras. E saíram de um raro génio da humanidade que não sentiu pejo em as proferir e deixar como testemunho para as gerações futuras que as devem ter em igual consideração como as suas enormes descobertas que todos conhecem e têm aproveitado, às vezes até desadequadamente.
Tudo o que uma pessoa faz deve ser determinado pela escala de valores universais e por aqueles em que acredita, desde que não violem os primeiros. A verdadeira riqueza apoia-se sempre em valores sólidos. E os valores têm que estar já interiorizados de tal modo que a pessoa, ao agir, não tem necessidade de estar a pensar constantemente neles. Com o decorrer dos anos, já o faz automaticamente, uma vez que tal maneira de ser já integra a sua personalidade. É o caso da humildade, da generosidade, da bondade, da justiça, do profissionalismo, entre muitos outros sentimentos e virtudes.
Os anos remotos de outrora contemplaram gerações de homens que formavam quintas ou pequenas povoações, tanto em zonas citadinas, como sobretudo campestres, onde coexistiam harmoniosamente as florestas, os prados, os regatos, os rios, os lagos e outras áreas naturais paradisíacas, nas quais os animais e as aves entoavam melodias tão belas! Foram épocas em que os seres humanos estavam mais enamorados de Deus que do ouro, tendo tempo para ver, ouvir e rezar. E agora, nestes tempos de evolução tecnológica, campeia a ganância, a corrupção, a falta de educação e de toda a espécie de respeito por tudo o que é direito, justo e humano. Veem-se manifestações por tudo o que é “lana caprina”, mas não se assiste a protestos contra a insegurança, os roubos, os assassinatos, a incivilidade, os malefícios originados pelos incêndios causados por pirómanos maldosos, bem como contra as guerras injustas devastadoras de milhares de pessoas e suas consequências funestas e, muitas vezes, irrecuperáveis. Para onde caminha a humanidade?
Tennyson disse: “Respeito por si próprio, conhecimento de si próprio e domínio de si próprio; só estas três condições encaminham a vida para o poder inexcedível”. O antigo aforismo “conhece-te a ti mesmo” – tão enganosamente simples – ganha um significado mais rico à medida que vamos aprendendo mais acerca da natureza humana. As investigações feitas em Psicologia, Psiquiatria e outras ciências específicas sobre o comportamento do homem revelam ligações íntimas entre a saúde mental e uma visão razoavelmente objetiva do “eu”, bem como a sua própria aceitação. A maior descoberta que cada pessoa pode fazer é a do seu “eu” real e desenvolver o poder latente que nele existe. As potencialidades interiores do homem são tão grandes que ele ainda nem sequer arranhou a superfície da sua própria natureza e a verdade da sua existência.




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