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A recuperação dos verdadeiros valores humanos (22)

O homem, mesmo com a profundidade dos seus sentimentos e a vastidão dos seus conhecimentos, não pode considerar-se completo se não tiver sabido selecionar e aperfeiçoar as suas tendências. Quem quiser melhorar os seus condicionalismos externos tem de começar por aperfeiçoar os internos. Quando as coisas não estão a correr bem, há algo em nós que nos alerta para essa situação e nos tenta levar para a sua respetiva correção.

Artur Gonçalves Fernandes
30 Ago 2012

Às vezes, temos que pensar longo tempo para descobrir a raiz ou o âmago dos desvios a fim de descobrirmos o erro e saná-lo. E, quando o resolvemos, sentimo-nos novamente bem e felizes.
Hoje em dia, neste mundo agitado, a maioria das pessoas anda atarefada numa roda-viva, de um lado para o outro, com a cabeça atafulhada de tantas ideias desconexas e num turbilhão perturbador, repleta de passatempos e procurando prazeres atrás de prazeres tão efémeros que, mesmo com a sua sucessiva repetição, não satisfazem plenamente o homem e esfumam-se com tanta rapidez. No meio desta imensa confusão, tais pessoas não reservam tempo para refletir e investigar o mundo maravilhoso e extraordinário existente dentro delas próprias. O homem continua a ser um eterno insatisfeito quando se limita ao hedonismo terreno e às suas indesejáveis consequências. Quando alguém começa a conhecer-se a si próprio, passa a viver verdadeiramente.
É aqui que surge uma série de questões. Até que ponto conhecemos o nosso eu e as nossas faculdades? Quais serão os nossos recursos e a imagem que fazemos de nós próprios? Quais os valores que nos norteiam? Qual é a nossa filosofia de vida? Quais são os motivos que nos servem de incentivo? Que aptidões ou habilidades (inatas ou adquiridas) possuímos e quais são os nossos objetivos, ambições e anseios? Que espécie de pessoa somos? Consideramo-nos como uma pessoa de bem?
Perante esta situação, cada um de nós deve fazer uma análise conscienciosa desses pontos e separar os fortes dos fracos. Desta reflexão seletiva sairá a verdadeira filosofia de vida. Devemos seguir o conselho de John Miller que dizia: “uma coisa que pode ajudar a sua vida interior é organizar mentalmente uma escala de valores, para saber o que é realmente significativo, importante e valioso”. Infelizmente, perdeu-se a noção de valores e estes sofreram uma alteração para pior ou memo para desvalores e anti-valores. As pessoas mostram mais negligência pelas suas responsabilidades para consigo e para com a sociedade, vivendo ao sabor das ondas, sem personalidade, sendo uns títeres dos outros e das conveniências momentâneas.
Tudo isto rebaixa e adultera os valores universais e perenes que sempre guiaram o homem na sua vida na terra. Onde param os princípios da civilização ocidental? A frouxidão moral, o desleixo no cumprimento dos deveres profissionais, sociais, éticos e cívicos, o desrespeito pela lei e pela ordem social, o desprezo flagrante pela autoridade sob qualquer forma e por motivos fúteis e o desejo e a moda de ser não-conformista parecem ter tomado o lugar do amor ao lar e à pátria, à conformidade com a lei e do respeito por si próprio. A evolução e o progresso científico e tecnológico e as proezas formidáveis a eles inerentes não podem atropelar os grandes valores nem impedir a sua conservação, prática e respeito que as gerações vindouras agradecerão que se lhes transmitam incólumes na sua essência.
Felizmente, ainda há muita gente que continua a defendê-los e a dar a cara por eles. Que beleza foi ver na televisão aquela festa de centena e meia de casais, em Proença-a-Nova, que festejaram as bodas de ouro dos seus matrimónios, não se coibindo de defender os valores que lhes estão inerentes, como seja, a indissolubilidade, a unicidade, bem como a harmonia, o amor e o respeito mútuo que ali se espelharam. Bem hajam. Que brilhante exemplo dão à sociedade que é fértil em eventos que lhes são opostos e outros que nem os animais irracionais cometem!




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