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A monomania antitaurina

1 Nota prévia O meu último trabalho no DM (18.8.2012) relativo ao prof. Hermano Saraiva teve de sair, por motivos logísticos, abreviado. O essencial está lá, mas só gostava de acrescentar que, quando em 2001, eu fui dispensado no JN, não fui só eu, foram muitos mais. E, por gralha, há uma frase minha, no cap. 3, que deve ler-se “o vosso servo que ora vos escreve, tinha à época a decisão e a paixão daqueles 3 egrégios povos avós” (lusitanos, godos e romanos).

Eduardo Tomás Alves
30 Ago 2012

2 – Uma tourada que a Câmara quis impedir
Apesar de ordens do tribunal em contrário, o atual autarca vianense, J. M.ª Costa, insistiu até à última, com vista à proibição de uma tourada na Areosa, em 19-8-2012. Foi secundado por amea-ças à vida do aficionado Costa Monteiro, da Protoiro. E por uma manifestação violenta, cujas consequências só os reforços da PSP conseguiram dominar. José Costa é “digno sucessor” de Defensor Moura, o qual teve a audácia de, à revelia de tradições tanto regionais como ibéricas, declarar Viana como cidade antitouradas, à semelhança da proibição que a Esquerda fizera, meses antes, na Catalunha. Assim, esta é a 3.ª vez que venho defender neste jornal a legitimidade do espetáculo taurino e do respeito pelos gostos dos outros. A 1.ª foi o artigo “Caçadas, touradas e aviários” (3.9.1999). E a 2.ª, “Proibir as touradas ou os festivais de rock?” (13.8.2010).

3 – Será para distrair o povo das portagens na A 28 e da venda dos estaleiros?
O que move tanta intolerância e falta de respeito pela liberdade alheia? Será para desviar a atenção do desastre para a economia vianense causado pelo fecho ou venda dos estaleiros? E da  vergonha que é ter de se passar a pagar portagem para se ir ao Porto, fruto da estúpida política socratista de construir uma série de novas e caras  autoestradas onde ninguém passa e de fazer várias barragens em rios secos, como o Sabor e o Tua? Talvez até seja, mas há outras razões.

4 – Proibir touradas é dividir Portugal e passar um atestado de barbárie à metade sul do País
Dizer presunçosamente que as touradas são um espetáculo selvagem é chamar atrasados e selvagens aos portugueses do sul, de boa parte do centro, de forte número de vilas raianas e até dos Açores. E, como é óbvio, da própria Lisboa. Isto já para não falar dos gostos de boa parte dos espanhóis, desde as nortenhas Zamora, Bilbau e Pamplona para baixo. Há algo de infantil e inculto no impulso de proibir as touradas. A minha avó materna gostava de exibir uma redação minha (com 7 anos) em que dizia que “quando for grande, quero ser juiz e proibir as touradas”. Isto até me compara (mas com percurso inverso) com o colega Jorge Leitão, que aqui no DM (17. 8. 2012) disse que em pequeno gostava, mas agora não, por ter visto ao vivo. É curiosa, porém, a hipersensibilidade do articulista acerca do bem-estar do poderoso touro e o seu olvido em relação a uma tragédia bem maior, que é a do abate de milhares de leitões (nem a homonímia lhe lembrou o facto), de frangos, cordeiros, cabritos e vitelas.

5 – Antes de 20 minutos de luta, o touro  vive 4 anos de liberdade no campo)
Como disse, o massacre esquecido é o das vitelas e leitões, cabritos, anhos, e frangos, que a gula humana não deixa sequer chegar a adultos. O touro, não. É criado em plena liberdade gastronómica e sexual no meio de vastas pastagens e montados de sobro. A sua vida é muito mais feliz que a das vacas, galinhas, porcos ou coelhos, criados em pequenos espaços fechados e sujos. E comparando os números, se por ano são lidados 100 ou 200 touros na arena, são pescadas milhões de sardinhas, robalos, bacalhaus, atuns, cavalas, polvos, chocos, lagostas, lampreias, etc., e abatidos no matadouro outros milhões de galinhas, vacas, porcos, coelhos, patos, perus. Criticar as touradas só devia ser, pois, permitido aos vegetarianos. Ou às crianças que pensam que os bifes nascem nos hipermercados.

6 – Desconfiar dos que têm mais pena do touro que do toureiro
 Os críticos só se referem à violência sobre o touro. Se nada dizem em defesa do toureiro, que tantas vezes até perde a vida na arena, de duas uma: ou nada sabem de touradas ou têm o sistema de valores invertido.

7 – Onde estava o PS de Viana, quando Sócrates mandou destruir o Tua e o Sabor?
 Apesar de, no local, já ter funcionado um circo, José M. Costa alega violação do PDM, “preocupadíssimo” com que, por 24 horas, a Natureza fique intocada, na Areosa. Que é isso, porém, comparado com o fim definitivo dos vales do Tua e do Sabor e as nuvens de eólicas que Sócrates semeou nos nossos mais belos montes? Se os vianenses, ao menos, se lembrassem que a criação de touros evita que vastas áreas de sobreiro passem a daninhos eucaliptais… Isso sim, é que seria defender a Ecologia.




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