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O concílio Vaticano II 50 anos depois

No presente ano, celebra-se o 50.º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, um dos acontecimentos mais significativos do Cristianismo nos últimos dois séculos. O Concílio Vaticano II, como ficou conhecido o XXI Concílio Ecuménico da Igreja Católica, foi convocado no dia 25 de dezembro de 1961, através da bula papal “Salutis”, pelo Papa João XXIII, que o inaugurou no dia 11 de outubro de 1962. O Concílio só terminou dia 8 de dezembro de 1965.

Daniel José Ribeiro de Faria
29 Ago 2012

O grande desejo de João XXIII era que o Concílio Vaticano II fosse um segundo Pentecostes para a Igreja. O Vaticano II foi uma autêntica irrupção do Espírito de Deus sobre a Igreja, um acontecimento salvífico. Com efeito, existe um “antes” e um “depois” do Vaticano II.
O contexto histórico do pós-segunda Guerra Mundial, nomeadamente as profundas transformações sócio-económicas das sociedades ocidentais, a presença crescente do Terceiro Mundo, o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa e as mudanças nos domínios da cultura e dos costumes, bem como o contexto teológico-pastoral – emergência da teologia da história, desenvolvimento dos movimentos litúrgico e bíblico, retorno às fontes patrísticas, aparecimento da Ação Católica – não deixaram de pesar na decisão histórica do papa João XXIII.
Sendo um profundo conhecedor da situação da Igreja Católica, João XXIII era um ser humano genuinamente preocupado com o relacionamento da Igreja com a Humanidade.
Neste âmbito, o Concílio debruçou-se sobre a melhor maneira de a Igreja Católica renovar as suas estruturas internas e de servir o mundo, bem como para a promoção de uma nova forma de relacionamento com as demais confissões cristãos e as outras religiões, contribuindo deste modo para uma consciencialização mais profunda da unidade do género humano.
A relevância do Concílio deve ser valorizada na receção que lhe foi dada pelas comunidades cristãs, católicas e não católicas, e por outros setores da sociedade em todo o mundo As implicações dessa receção foram o desenvolvimento das conferências episcopais e dos sínodos, a valorização das Igrejas locais e o florescimento de novas correntes teológicas que buscam responder aos desafios atuais da Humanidade.
Passado meio século, a Humanidade deposita grandes expetativas junto da Igreja a quem cabe promover a consolidação do Reino de Deus.
Cada vez mais, a Igreja Católica e as demais Igrejas cristãs devem concentrar-se no essencial, promovendo uma evangelização que leve a uma experiência espiritual de Deus. É tempo de espiritualidade e de mística. E tempo também de profecia em relação ao mundo dos pobres e dos excluídos, que são a grande maioria da Humanidade, e em relação ao planeta Terra, cujo equilíbrio ecológico está gravemente ameaçado. Mística e profecia são fundamentais nos nossos dias. Os cristãos têm a responsabilidade de gerar esperança e sentido a um mundo dilacerado pela guerra, pela pobreza e pela exploração desordenada de recursos essenciais para a vida das gerações atuais e futuras. É preciso ir ao essencial. E não nos devemos deixar enganar, não caindo na velha tentação de tocar violino enquanto o Titanic se afunda…
Da crise da atualidade, pode surgir um tempo de graça, uma Igreja renovada, mais universal e evangélica, que promova a comunhão com os crentes das demais religiões e todos os seres humanos de boa vontade, tendo como finalidade fazer da Terra um planeta no qual todas as pessoas não sejam atormentadas pela guerra, pela fome e pelo medo, e possam viver de uma forma livre e digna.




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