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Consciência cívica ou…política?

Numa altura em que a minha preocupação principal é a possível ida de um filho para a Universidade, penso se não o deveria ter inscrito, já há uns anos, numa qualquer juventude partidária. É que, contrariamente ao que está a acontecer com inúmeros recém-licenciados que emigram diariamente, os recém-saídos das juventudes partidárias arranjam sempre lugares no nosso País como assessores altamente remunerados, se acreditarmos naquilo que vem diariamente do Diário da República.

Carlos Mangas
28 Ago 2012

Ao que parece, tal facto é condição para se ter acesso a determinados lugares de assessoria ou chefia que proporcionam inúmeras regalias financeiras (subsídios, ajudas de custo, etc.) e sociais (lugares de chefia em empresas estatais, equivalências académicas, etc.).
Pensando ainda mais friamente, o meu filho nem teria de se esforçar tanto, como terá de o fazer para conseguir uma Licenciatura de três ou um Mestrado de cinco anos, bastava fazer aquilo que é usual na política, utilizar “a cassete” da oposição ou do Governo, conforme o partido que se defende. Confuso? Eu explico:
O governo PS que, por forma a diminuir o défice das contas públicas, resolveu fechar ou “agrupar” inúmeros serviços (hospitais, centros de saúde, escolas etc.), tinha como ferozes opositores, Passos Coelho, Paulo Portas e respetivos partidos, bem como os que sempre foram oposição, CDU e BE. No entanto, quando ouço agora o Primeiro-ministro Passos Coelho a falar das medidas necessárias para combater o défice, relembro as mesmas palavras e medidas semelhantes do ex-primeiro ministro José Sócrates. Quando ouço agora, António José Seguro, líder da oposição, estou a ouvir Passos Coelho antes de ser Primeiro-ministro.
Infelizmente para a maioria dos portugueses, aquilo que os nossos principais políticos advogam enquanto oposição, nunca fazem quando governam, e aquilo que fazem quando governam é o que criticavam na oposição. Talvez por isso, nunca os vi tentar diminuir à despesa, “cortando” nas suas (deles, deputados e governantes) regalias, ou nas famosas PPP, nos “cambalachos” bancários, nos pareceres jurídicos a firmas de advogados amigos, nas subvenções vitalícias a “reformados” com 40 e poucos anos de idade, nos carros topo de gama ao serviço de governantes e deputados, enfim, um sem número de situações que resolviam parte do défice sem sobrecarregar sempre os do costume. Continuamos, pois, a ver uma mesma linha de continuidade porque, infelizmente, nenhum deles ouve ou quer seguir Pedro Abrunhosa, nem lhe quer dar razão, quando ele diz: “vamos fazer o que ainda não foi feito”. Quase apetece dizer que se queremos que eles nos ouçam, não basta bater-lhes ao de leve num ombro. Se calhar, temos mesmo de usar um martelo, para assim conseguirmos atrair a sua atenção.
Voltando ao meu problema inicial, acredito que o meu filho já não vai a tempo de integrar uma juventude partidária e ter sucesso nesse “ramo”, mas ainda tem tempo de conseguir uma licenciatura ou mestrado dignos, que lhe permitam seguir um sonho e, quem sabe, manter uma coerência de pensamento e consciência cívica de acordo com os seus objetivos e os seus ideais e não com a evolução política do partido em que estivesse inserido.




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