Fotografia:
Ninguém agrada a gregos e troianos

Que o país está economicamente em situação difícil, é um dado evidente que até os mais optimistas não negam. Que situação exige medidas austeras e de rigor orçamental, também ninguém com sentido de responsabilidade negará. Que a situação difícil do país é resultado da conjuntura internacional que se vive e do facto de, ao longo dos anos passados, não se ter tido a coragem de, de forma suave, se tomarem as decisões e adotarem medidas que agora, em curto espaço de tempo, nos são impostas, também é pacificamente aceite.

Macelino Abreu
27 Ago 2012

O que não se entende é que haja pessoas e muitas delas com responsabilidades e que com a sua ação, ou omissão, de algum modo contribuíram para este estado de coisas que pensem o contrário.
É verdade que austeridade em demasia pode estagnar “asfixiar”o sistema económico e que, por isso, nem só de austeridade se resolve o problema em que estamos mergulhados. Contudo, também não deixa de ser verdade que se no passado vivemos acima das posses e se desbaratava dinheiro, agora, se se aperta o cinto, aqui d´el-rei que nos tiram tudo.
Esta dualidade de enfrentar a crise faz-me lembrar uma fábula: “A fábula do velho, o menino e o burro”e que quero aqui partilhar com os leitores porque ilustra bem todo isto e a nossa forma de encarar os problemas.
Diz essa fábula que vivia no monte um homem muito velho que tinha na sua companhia um neto. Certo dia, o velho resolveu descer ao povoado com o seu burro fazendo-se acompanhar do neto. Seguiam a pé, o velho à frente, seguido do burro e atrás o neto. Ao passarem por uma povoação logo foram criticados pelos que observavam a sua passagem:
– Olhem aqueles tolos, com um burro e vão a pé.
Ouvindo isto, o velho disse ao neto que montasse no burro, tendo ele assim feito. Um pouco mais adiante, ao passarem por outras pessoas, estas, por sua vez, logo disseram:
– O rapaz, que é forte, montado no burro e o velho, coitado, é que vai a pé . Isto não tem jeito nenhum!
O velho mandou, então, o neto descer e montou ele no burro. Andaram um pouco mais e encontraram, novamente, outro grupo de pessoas e, mais uma vez, foram criticados:
– Olhem para isto. A pobre criança a pé e o velho repimpado no burro.
O velho ordenou, então, ao neto:
– Sobe rapaz, seguimos os dois montados no burro.
O rapaz obedeceu e continuam, então, a viagem os dois em cima do burro. No entanto, um pouco mais adiante um novo grupo de pessoas enfrenta-os indignados:
– Desçam do burro! Querem matar o animal? Gente insensível!
Descendo do burro, disse o velho ao rapaz:
– Desce. Continuamos a viagem como começamos. Está visto que não podemos calar a boca ao mundo.
Como diz o nosso povo: “ninguém agrada a gregos e troianos”, ou então, “é-se preso por ter cão e por não ter.”
Talvez as críticas às medidas adoptadas, essas sim, expliquem, em boa parte, porquê o país chegou ao estado que chegou (se no passado estava de tanga, hoje, talvez já nem a tanga que veste seja sua). Pior do que não poupar, ou não querer poupar, é criticar quem o faz (ainda que, talvez, já tardiamente).
Se me é permitido opinar: antes ser criticado pela positiva do que pela negativa.
Até um dia destes e boa poupança, para os que a quiserem fazer….




Notícias relacionadas


Scroll Up