Fotografia:
A (des) valorização do Turismo em Braga

É certo que um dos grandes problemas do setor turístico é a sazonalidade, facto que pode ser resolvido quando uma cidade se mune de uma oferta diversificada que abrange diferentes mercados em diferentes alturas do ano. Esta solução aliada com a mais-valia do setor turístico para a empregabilidade, aumentaria os postos de trabalho e reduzia-lhes a precariedade.

Inês Barbosa
27 Ago 2012

Partindo desta premissa, existe a necessidade de apostar num turismo em que todos os recursos sejam aproveitados da forma mais correta. No caso de Braga, o turismo mostra-se um setor subaproveitado com muitas cartas para dar, sendo uma mais-valia para uma cidade, com tantos recursos, que esperam apenas, por parte das entidades responsáveis, públicas e privadas, uma forma de se tornarem úteis.
Recentemente, foi noticiado o descontentamento dos turistas que visitam a cidade de Braga. São confrontados com os monumentos fechados e para os poderem visitar são necessárias autorizações especiais. Esta situação há muito que vem sendo alertada pela população local e agora chega um alerta dos turistas estrangeiros, aqueles que devemos ser capazes de atrair e preservar na cidade.
A cidade de Braga não corresponde às expetativas dos visitantes que se veem proibidos de visitar um património que pertence e deve estar acessível a todos.
Uma das razões de estes locais fecharem ao público é a falta de pessoal e de recursos. Assumindo que estamos a atravessar uma crise de empregabilidade e que, anualmente, saem centenas de licenciados em Portugal de cursos ligados ao setor turístico com vontade e necessidade de trabalhar, teríamos com estas propostas de emprego a solução para este problema. Acrescia ainda o problema de pagar ordenados a este pessoal, mas quando há vontade todos os problemas são resolvidos. A cobrança de bilhete à entrada seria uma das soluções, que teria de ser bem discutida e avaliada no caso de igrejas que abram as suas portas para a celebração da Eucaristia e que não seria problema para os visitantes, que asseguradamente preferem um bom investimento, ainda que maior, a um investimento furado.
Há uma grande necessidade de manter os turistas o máximo de tempo possível na cidade, de forma a gerar mais dormidas e maiores lucros. Não será surpresa que Braga veja os seus números crescer se aumentar o número de atrações abertas ao público.
Mas não chega apenas abri-las. É impreterível que sejam providas de sinalética adequada. Neste seguimento, é necessária esta prática não só em locais que possam vir a abrir como também em locais já abertos, pois uma das queixas que consta no reportório dos turistas é a falta de informação.
Esta reclamação vem provar a falta de capacidade de resposta do Posto de Turismo às necessidades dos turistas. É inadmissível que o Posto de Turismo feche em alturas essenciais como feriados. Se o setor turístico não adaptar os horários ao público que serve, corre o risco de o perder.
Outro ponto fraco da gestão do turismo em Braga é o parco aproveitamento das tradições da cidade. Destaca-se aqui o folclore que é, sem dúvida, subaproveitado no que toca ao seu contributo para o turismo, caso que nos obriga a referenciar Viana do Castelo que faz, e muito bem, do folclore e das tradições a sua imagem de marca. Em jeito de exemplo, um dos maiores símbolos da cidade de Viana do Castelo é o tão conhecido casal tradicional “Manel e Maria” encontrado “aos pontapés” nas lojas de lembranças de Viana em vários materiais e tamanhos. Ora, na cidade de Braga, podemos encontrar vários galos de Barcelos, vários “Maneis e Marias” de vários tamanhos e materiais e que servem utilidades várias (porta-chaves, bibelôs, etc.), mas o mesmo não acontece com um dos maiores símbolos da cidade. O farricoco, símbolo da Semana Santa, parece ser difícil de encontrar como simples porta-chaves de pano ou adereço para capa académica (como acontece com o “Manel e a Maria” em Viana). Sendo um símbolo da cidade, merecia uma maior aposta e diversidade na sua comercialização e não apenas na altura da Páscoa. Um exemplo entre muitos.
É ainda de extrema importância a promoção e divulgação da cidade nos meios adequados e para um público abrangente. Ainda que, muitas vezes, Braga seja mais conhecida por parte dos visitantes do que pela população local, o que não deixa de ser um acontecimento infeliz, é importante que se invista numa boa promoção e divulgação original que capte a atenção dos turistas e que realce todas as valências da cidade e do que tem para oferecer.
O que temos não é riqueza em bruto à espera de ser transformada num tesouro de valor incalculável pelo que é preciso começar a mudar mentalidades e sensibilizar as entidades responsáveis para a importância do património material e imaterial (que é muitas vezes descurado na cidade de Braga) em aliança com o setor do turismo.




Notícias relacionadas


Scroll Up