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Pico de Regalados, um pouco da sua história

Na última crónica que escrevi para este jornal, abordei, entre outras coisas, a reforma administrativa que está a ser levada a cabo no nosso país por imposição dos agentes europeus ligados ao Fundo Monetário Internacional e com o aval dos partidos mais representados na Assembleia da República, o PSD, o CDS e o PS.

24 Ago 2012

Independentemente de estarmos ou não de acordo com a realização desta reforma e, mesmo tendo dúvidas relativamente à sua mais-valia em termos económicos ou de gestão, o facto é que é um compromisso assumido por Portugal que necessariamente tem o dever de cumprir.
A verdade é que não é a primeira vez que se fazem reformas administrativas em Portugal, e Vila Verde é um exemplo vivo dessa situação. Somos um concelho com mais de cento e cinquenta anos de história e nem sempre tivemos a mesma dimensão do ponto de vista geográfico. Recordo, por exemplo, que Pico de Regalados, outrora apenas denominado Regalados, foi sede de concelho desde maio de 1513, quando D. Manuel I lhe concedeu foral, tornando-o num dos mais antigos do território português. O dia 24 de outubro de 1855 marca o fim de Regalados como concelho, sendo a partir dessa data que as vinte freguesias que o compunham passaram a ser incorporadas no concelho de Vila Verde. Para que os leitores possam ter uma noção da dimensão em termos geográficos do antigo concelho de Regalados, a sua área abrangia, a norte, o atual território de Valdreu e Gomide, e a sul, freguesias como Gême ou Sabariz.
Pico de Regalados (São Paio) e Pico (São Cristóvão), atualmente freguesias separadas, constituíram aquilo que foi, outrora, a Vila de Regalados. A Câmara Municipal e o tribunal funcionaram, durante alguns séculos, no edifício pertencente aos Abreu de Regalados que foi posteriormente destruído, quase na sua totalidade, para dar lugar ao edifício atual que também funcionou, embora por poucos anos, como sede de concelho e tribunal. De facto, a família dos Abreu está intimamente ligada à história de Regalados, atualmente Pico de Regalados. Os Abreu eram senhores das terras da Pica em Merufe, concelho de Monção, sendo, por isso, também conhecidos como os Senhores do Pico, facto que levou com o decorrer dos anos a que o nome de Pico fosse também adotado e acrescentado ao nome de Regalados.
Os Abreu de Regalados foram, sem dúvida, grandes senhores pertencentes à fidalguia, senhores de vastas propriedades e com poderes de jurisdição civil e criminal em várias regiões que administravam. Vieram para Portugal com o conde D. Henrique, pai do nosso primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, e foram uma das famílias mais importantes a nível político, económico e social no país, sobretudo a norte onde pos-
suíam grandes títulos, tinham influência e, inclusivamente, faziam depender de si o desenvolvimento dessas regiões sobre as quais exerciam poder administrativo.
É difícil passar pela Vila do Pico de Regalados e não reparar na Casa dos Abreu, cuja construção data do século XVIII. De facto, é um edifício dotado de uma beleza extraordinária cujo interior ostenta parte da história de Vila Verde, em particular da Vila do Pico e que, por esse facto, é uma pena que não seja tão conhecido como, na verdade, deveria ser. Já vi as escolas do concelhos fazerem visitas de estudo a muitos locais importantes, alguns bem longe. Não me lembro de nenhuma visita organizada ao interior da Casa dos Abreu de Regalados! Não seria uma iniciativa interessante para estimular nas crianças vilaverdenses o gosto pela nossa história local? Estou certo que os seus atuais proprietários estarão disponíveis para dar a conhecer um pouco do passado deste edifício histórico da família dos Abreu, da história da Vila do Pico e do concelho de Vila Verde.
Considero-me um privilegiado por já ter tido a oportunidade de conhecer o seu interior, por intermédio do Professor Mota Alves, presidente da ATAHCA, e ser muito bem recebido pelo Sr. Dom João de Abreu e sua esposa, Sra. Maria Júlia Mourão Azevedo, na altura, proprietários da Casa dos Abreu de Regalados e descendentes de uma das famílias mais marcantes e influentes da história de Vila Verde.




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