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Outro Ponto de Vista

Os verdadeiros heróis fazem-nos falta.”Do exemplo se constrói uma Nação e um amor Pátrio.
O acidente mortal que vitimou um dos nossos heróis, o Senhor Coronel Alves Cardoso, exemplo que deveria funcionar para tantos, neste momento em que falar-se em Pátria é quase démodé, entristece-nos, mas esperemos que, da sua ação enquanto defensor de Portugal no mundo, alguma coisa se possa aproveitar.

Acácio de Brito
24 Ago 2012

Para memória futura e apesar de vivermos num tempo de perda de soberania, por força e razão de tantos incapazes que na sorte nos têm saído, não obstante, alguns, muito outros, à Pátria se devotaram. Transcrevo o texto que acompanha a alta condecoração atribuída, em 1969, ao garboso e distinto português e militar:

“Considerando que o Tenente de Infantaria, graduado em capitão, Jaime Rodolfo de Abreu Cardoso, após oito anos de campanha contra a subversão no Ultramar, pela coragem constante em presença do inimigo, pelas suas virtudes militares, alto espírito de sacrifício, decisão, alheamento consciente do perigo, prestígio pessoal sobre as tropas comandadas ou entre os seus camaradas e superiores, impôs-se como um alto valor moral da Nação; considerando que em acções militares heróicas em Angola e feitos praticados em combate em Moçambique – que lhe deram jus a uma Medalha de Prata de Valor Militar e proposta para a Cruz de Guerra de 1.ª Classe – revelou personalidade, em cujo carácter estão bem vincados o valor, a lealdade e o mérito; Américo de Deus Rodrigues Thomáz, Presidente da República e Grão-Mestre das Ordens Honoríficas Portuguesas, faz saber que, nos termos do Decreto-Lei n.º 44 721 de 24 de Novembro de 1962, confere ao Tenente de Infantaria, graduado em Capitão, Jaime Rodolfo de Abreu Cardoso, sob proposta do Presidente do Conselho, o Grau de Oficial da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.
Presidência da Republica, 6 de Junho de 1969”

Nem de propósito, a minha escolha de leitura de férias, versou, entre outros, dois livros: um que é uma biografia do Marechal Spínola e um outro, de Nogueira Pinto, que trata das nossas venturas africanas, nomeadamente, de Angola e Moçambique.
Se, na biografia de Spínola, percebemos a natureza dos que se apropriaram do 25 de abril, subvertendo-o, renegando e envergonhando mesmo a farda que deveriam honrar, em Nogueira Pinto, inteligimos a manipulação grosseira a que fomos sujeitos enquanto povo.
Um povo tem memória. É de bom tom não esquecermos os nossos heróis, mas, também, é de justiça identificarmos os “Miguéis de Vasconcelos” que por aí pululavam e por aí ainda se pavoneiam.
Em nome de uma memória, recordo os muitos que não mereceram a devida homenagem da Nação, nomeadamente os que, na defesa da nossa bandeira, a vida deram e nem honras de funeral digno tiveram.
Em nome de uma memória, entendo ser de exigir que os responsáveis não se furtem a contas com a história. Em nome de uma memória, é tempo de chamarmos as coisas pelos seus nomes. Em nome de uma memória e dos homens, Braga deve prestar uma homenagem a um dos seus mais ilustres.
Nesse sentido, espero ver consagrada uma praça, ou mesmo rua, ao herói nacional Coronel Comando Jaime Rodolfo Abreu Cardoso.
Aos que partiram, a certeza de que nos Céus velarão por nós!




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