Fotografia:
Explosão demográfica

Contrariando todas as estatísticas de “um longo inverno demográfico” em Portugal e por toda a Europa, a Baía de S. Martinho do Porto, explode num verão radiante de natalidade e é, sem sombra de dúvida, a praia que mais concentra crianças de todas as idades.

Maria Susana Mexia
23 Ago 2012

Ao longo dos tempos, em cada ano que passa, centenas de jovens casais ali vão, para veranear com os seus rebentos. São todos muito novos, muito sorridentes e transpiram um ar de felicidade familiar que dá gosto ver. Os avós surgem cada vez mais novos, mais confiantes e menos desanimados com o avançar da idade e da problemática que lhe está inerente.
As crianças, aos pulinhos, pela mão dos pais, dos avós, às cavalitas, ao colo, no carrinho de bebé ou ainda na barriga da mãe, são cada vez mais, todos muito felizes, muito contentes, muito bonitos e de todas as camadas sociais que optam por ter muitos filhos, não por possuírem mais recursos ou facilidades, mas por uma opção consciente em favor da vida.
Não sei a que se deve tal fenómeno, se à tranquilidade ali vivida, ao clima, às ondinhas que não oferecem grandes perigos, ou se a uma tradição familiar que se vai mantendo de geração em geração, ano após ano.
Sabemos que a família não é uma coisa do passado, pelo contrário, é o elemento chave para a sobrevivência da sociedade, a instituição que pode garantir o futuro a todas as gerações em todos os tempos. “A família é o lugar onde a vida humana nasce e onde as crianças crescem e são educadas; o lugar privilegiado onde se adquirem os valores fundamentais da solidariedade, da responsabilidade mútua e do compromisso abnegado para com o outro.”
Reconforta, anima e renova a esperança na coesão familiar, na partilha dos tempos livres, na comunhão de afetos que se têm vindo a degradar nas últimas décadas. Mas, essencialmente, dão um belo exemplo a todos os que já não têm tempo, nem disponibilidade, nem paciência para, alegremente, trocar amor, conversas, sorrisos e gargalhadas.
Será aqui que poderá estar a chave para a resolução duma crise estrutural que, mais do que financeira, compromete o nosso futuro?
Será mais um milagre de S. Martinho, que não só partilhou a capa com um pobre, num amplo gesto de caridade, mas também incitou ao cumprimento da vontade do Criador: ”Crescei, multiplicai-vos, povoai a terra e sereis abençoados”?




Notícias relacionadas


Scroll Up