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A recuperação dos verdadeiros valores humanos (21)

O homem, apesar da evolução científica e tecnológica (ou por isso mesmo), continua a não se conhecer a si próprio, bem como as inúmeras e maravilhosas capacidades que encerra na sua natureza. A grande máxima adotada por Sócrates: “conhece-te a ti mesmo” mantém a sua força psicológica e mental nos tempos que atravessamos.

Artur Gonçalves Fernandes
23 Ago 2012

Os autênticos talentos humanos intrínsecos à sua constituição não são valorizados devidamente. Ninguém se poderá dominar se não se conhecer verdadeiramente. Há espelhos para a face exterior, mas não para o espírito. O único instrumento que pode visionar o interior humano é o próprio homem. Há tantas descobertas, tantas pesquisas interplanetárias com enormes gastos em nome da ciência, mas a grande maioria das pessoas, por inação, descura a maior e a melhor das investigações que é o profundo conhecimento do interior humano e de todas as suas potencialidades.
A autoanálise é a grande escola da sabedoria. Quanto mais cedo o homem descobrir os segredos e as riquezas que possui mais fácil será a jornada da sua vida. Para tirarmos o máximo de nós, temos de conhecer os recursos que possuímos e depois aperfeiçoá-los e utilizá-los com sensatez. Shakespeare dizia que “o conhecimento que os sábios e os bons procuram mais é o de si mesmo.” Pelo controlo das emoções uma pessoa consegue superar quase todas as dificuldades que habitualmente estragam a vida. A desvantagem de ser pobre pode ser superada; a doença pode ser dominada; a incapacidade física pode ser compensada; os maus hábitos podem ser extirpados; grande parte dos erros pode ser corrigida.
Sócrates advertiu: “a vida não ponderada não merece ser vivida”. Esta é uma outra velha máxima de tom simples que ganha maior significado à medida que vamos aprendendo mais acerca da natureza humana. A vida é uma série contínua de ajustamentos à realidade. Com esta pragmática, o homem pode transformar a sua vida numa vitória, seja quem for, esteja onde estiver e faça o que fizer. Não interessa a idade ou a posição social que ocupa na vida, nem a sua conta bancária. Para viver uma vida dinâmica e vitoriosa, a tarefa mais premente é e será sempre conhecer-
-se e compreender-se a si mesmo. Cada um que descubra primeiro a sua pessoa. O sucesso, no sentido mais lato e feliz, depende da autodescoberta.
O desenvolvimento do caráter, da fé, do autodomínio, da independência, da coragem, do desejo de ser útil ao próximo, bem como a boa vontade para fazer sacrifícios devem ser o nosso objetivo constante. Em obe-
diência às leis da sua própria natureza cada pessoa vai gravitando para a órbita própria. A situação ideal é levar uma vida equilibrada, desenvolvendo igual e harmoniosamente todos os seus segmentos, porque essas leis entrelaçam-se e afetam-se mutuamente. Este conhecimento essencial dá verdadeiro significado à vida. O homem fica com alicerces para a sua vida superiores e incomparáveis com qualquer fenómeno planetário, por maior que ele seja. Com este conhecimento essencial na base da sua vida quotidiana, o ser humano pode resolver qualquer problema que lhe surja.
Devemos agir segura e pacientemente, sem procurar caminhos fáceis ou atalhos, mas buscando uma filosofia de vida que nos inspire e nos estimule a fazer ainda maiores esforços para nos aperfeiçoarmos. Temos de encarar o domínio de nós próprios com a mesma determinação com que encaramos o domínio de uma arte ou de uma ciência. O que devemos procurar é uma norma de autodescoberta e reformação contínuas, para nos realizarmos o melhor possível e ser quem devemos ser. Essa norma inclui não só o intelecto mas as emoções, o caráter, a criatividade, a adaptabilidade, a vitalidade e a evolução moral e espiritual. Por outras palavras, essa máxima da vida inclui o desenvolvimento permanente de todas as nossas faculdades.




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