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A mais-valia da Língua Portuguesa para a economia nacional

Ao longo dos séculos, ciclos históricos com as suas variantes territoriais, linguísticas e culturais, exprimem, quase sempre, a época em que são referenciáveis, sem deixar de marcar os seus períodos de ocorrência e desenvolvimento, através dos tempos e das gerações civilizacionais.

Bernardo Reis
22 Ago 2012

O período áureo dos descobrimentos, na altura em que os portugueses tiveram uma ação determinante, constituiu o ponto de partida para a globalização, resultando daí a implantação da língua e o estabelecimento de entrepostos comerciais, em diversos países e continentes.
A partir daqui, os conceitos e formas de comercialização, apoiados no intercâmbio com povos de culturas diferentes, sofreram uma evolução diferencial e inovadora. A troca de produtos originou novos hábitos alimentares e procedimentos de valorização de mercadorias, que modificaram e alteraram rotas comerciais, contribuindo para a valorização económica de certas regiões e permitindo novas formas emergentes de economia.
Os portugueses chegaram a todos os continentes, deixando testemunhos de índole diversa, viáveis e marcantes na globalização, onde a língua portuguesa se instalou e deixou vestígios, que hoje permanecem ou se desenvolveram exponencialmente numa cultura inicial de ocupação e posteriormente como veículo complementar ou de raiz dos povos através dos séculos.
A língua constituiu e constitui uma árvore com fortes raízes motoras da interligação cultural. Os ramos, mais ou menos desenvolvidos, são espaços geográficos de uma lusofonia fortemente enraizada ou de implantação pontual, mas com resultados económicos quantificáveis, sujeitos a alterações em função dos ciclos históricos e dos modelos transnacionais comerciais resultantes da evolução dos meios de transporte.
A expansão e dispersão da língua portuguesa, hoje uma das mais faladas, resultou da ocupação territorial de alguns países nos séc. XVI e XVII, hoje independentes, mas que mantiveram o português como língua básica, devido à dispersão de dialetos específicos de determinadas etnias. O português serve de língua nas relações internacionais e na área da diplomacia intercomunitária.
A diáspora portuguesa criou comunidades portuguesas, quer nos países lusófonos, quer com os milhões de portugueses emigrados, com gerações já radicadas em diversos países de acolhimento – Estados Unidos, Venezuela, Argentina, França, Alemanha, Suíça, etc. Estas comunidades funcionam como verdadeiros agentes de uma mais-valia económica que, convenientemente explorada pela via diplomática e empresarial, ajudará ou contribuirá para uma balança comercial altamente favorável à economia portuguesa, principalmente neste período de crise, contribuindo para reduzir o défice e a dívida externa.
Portugal e o tecido empresarial português devem explorar a língua portuguesa como um fator agregador de sinergias de proximidade, afeto, de criatividade e de empreendedorismo, tirando partido do conhecimento dos territórios onde a lusofonia está fortemente implantada, facultando ligações históricas ou restabelecimento de elos intergeracionais.
Estamos certos que, apesar de diversas experiências efetuadas por outros povos com culturas diferentes, principalmente nos países que mais recentemente proclamaram a sua independência, será Portugal que melhor poderá contribuir para apoiar o relançamento das suas economias, quer pela experiência no terreno, quer pelo entrosamento cultural e afetivo, apesar das vicissitudes do passado, que não são só inerentes à cultura portuguesa, mas a outros povos e culturas através dos ciclos históricos seculares.
A língua de Camões é um vetor valioso para o desenvolvimento e crescimento da economia em Portugal, mediante as trocas comerciais e de “know how” com os países de expressão lusófona ou com os países onde a emigração portuguesa esta fortemente implantada.
São de salientar as iniciativas do Senhor Presidente da República, Prof. Aníbal Cavaco Silva, e do Governo, principalmente através do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Dr. Paulo Portas, apostando na diplomacia económica, uma fonte importante que deve ser desenvolvida, apoiada na interculturalidade. Estas iniciativas passam talvez despercebidas, mas são cada vez mais evidentes e estão a trazer valor acrescentado para a nossa economia, que precisa de renascer com empreendedorismo e inovação tecnológica.
Com determinação, sentido de responsabilidade e análise pragmática, procurando soluções atempadas adequadas às diversas situações, que vão ocorrendo ou previstas, sem demagogias partidárias, mas pensando no bem nacional, mais uma vez, como em diversos ciclos históricos do passado, Portugal, com sentido de coesão e em união, ultrapassará esta crise interna, em parte oriunda de deficiente gestão nas últimas décadas, mas também resultante dos problemas socioeconómicos europeus e mundiais.




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