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Próximos do ponto de viragem?

Nem tudo tem corrido de feição, é verdade. Nem ao Governo nem ao país. Tem havido, aqui e acolá, desacertos. Quase sempre pontuais. Alguns preocupantes, como o aumento do desemprego. Mas, naquilo que é realmente importante e fundamental, não. Até agora, não houve falhas de relevo que pudessem pôr em causa a credibilidade do país e o cumprimento escrupuloso com a comunidade internacional.

Luís Martins
21 Ago 2012

O controlo do défice e o controlo do endividamento externo, objetivos da maior importância, têm sido assegurados com êxito. Se o Governo tivesse falhado, o país teria também falhado e estaríamos agora todos tramados. Tudo estaria pior. Muito pior.
Tal não significa que podemos baixar os braços. Nem pensar. É preciso assegurar o cumprimento de tudo o que é crítico e há ainda, e sobretudo, a economia que precisa de crescer para sairmos da contenção apertada que nos atinge. Mas, tal como tenho expressado em anteriores textos de opinião, não se pense que voltaremos tão cedo aos níveis de bem-estar anteriores à crise. Infelizmente, isso não acontecerá num abrir e fechar de olhos. Temos de nos contentar com o alívio lento do sufoco limitador das nossas iniciativas aquisitivas.
Passos Coelho anunciou, na festa do Pontal, a reentrada política do Partido Social Democrata, o fim da recessão em Portugal, em 2013. O ministro Álvaro Santos Pereira concretizou que “as reformas que estão já no terreno, as políticas que estão a ser implementadas e o impacto reformista que caracteriza o Governo irão dar os seus frutos”. Mas, há quem veja nos discursos do primeiro-ministro e do seu ministro da Economia divergências significativas. Não creio, contudo, que se possa tirar essa ilação das declarações de ambos. Um e outro acreditam que a inversão da situação económica acontecerá mesmo em 2013 e as palavras de um e de outro não contradisseram este objectivo.
Podemos ou não ficar convencidos e confiantes, mas a verdade é que há razões para acreditar que isso será possível. Desde logo, porque Portugal foi sujeito a verificações diversas (foram já quatro as avaliações efetuadas pelas instâncias internacionais) e todas foram bem sucedidas, o que demonstra que estamos no bom caminho. Passos Coelho e o Governo, quando dizem o que dizem, não estão sós, portanto. A certificação desse discurso advém dessas autoridades, também interessadas no sucesso de Portugal, por razões óbvias. Que credor não quer ser ressarcido dos empréstimos efetuados, ainda para mais quando os valores em causa são tão expressivos? Por isso, temos razões para acreditar que as coisas podem mudar, apesar de a conjuntura – que se mede pela nossa capacidade de investimento, de criar emprego e de consumir – não ser favorável. Se ficarmos pessimistas isso é que não ajuda. Antes pelo contrário.
Compete ao Executivo animar as hostes, sejam instituições, empresas ou cidadãos. O presidente do partido que lidera o governo fê-lo há oito dias no evento que há muitos anos reabre a atividade política dos sociais-democratas após férias. Fê-lo com convicção e determinação. É verdade que há sempre a possibilidade de a evolução da conjuntura se não confirmar no futuro – a macroeconomia não é uma ciência exacta –, mas o país precisava de um discurso otimista, que elevasse a moral dos agentes económicos. Houve quem o criticasse por imprudência e desonestidade, face às dúvidas que a conjuntura ainda transmite, e que não devia comprometer-se com um calendário tão apertado para o fim da recessão. Entendo, ao contrário, que fez bem. Se não o assumisse, teria sido da mesma forma criticado e com uma desvantagem: deixaria todos apreensivos e ansiosos, o que seria negativo. A gestão de expetativas positivas é sempre preferível à omissão e ao discurso derrotista. Ficamos, ao menos, a saber que o Governo continua determinado a cumprir os objetivos para sair da crise, sendo preferível andarmos mobilizados a esperar ou a desesperar. Os resultados serão mais facilmente atingíveis se procurarmos reconstruir a esperança no futuro
O chefe do Governo foi peremptório na última terça-feira. Assegurou que os portugueses estão “mais próximos de vencer a crise e voltar uma das páginas mais negras da história da nossa Pátria”. Assim aconteça.




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