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No 6.º centenário do nascimento da St.ª Joana d’Arc

A campanha para as eleições francesas, que ocorreu há pouco tempo, fizeram- me reavivar algumas ideias de antanho sobre esse importante país europeu. E a ideia mais saliente foi sobre essa figura histórica, Santa Joana d´Arc, nascida em 1412, em Domremy de Greux, portanto, há 600 anos.

Manuel Fonseca
21 Ago 2012

Esta personagem viveu num período muito conturbado dessa nação. Estava-se na chamada Guerra dos Cem Anos, entre a Inglaterra e a França. Esta tinha começado devido a desinteligências entre dois descendentes de Filipe, o Belo, de França: Eduardo III, rei de Inglaterra e Filipe VI, rei de França, o primeiro, neto, e o segundo, sobrinho.
Eduardo III alegava direitos sobre a França, mas desistiu deles em virtude do respeito por parte de Filipe VI sobre um feudo que possuía em França. Mas quando Filipe VI invadiu esse feudo e, por outro lado, afetou negativamente as relações comerciais da Flandres, território francês, com Londres, a guerra principiou.
Com o passar dos anos, a situa-ção de França tornava-se muito problemática. Praticamente, encontrava-se dividida entre norte e sul, na linha do rio Loire. Por outro lado, a conhecida “peste negra”, em 1348, tinha dizimado cerca de metade da população francesa. E um rei, Carlos VI, tinha enlouquecido.
Foi neste cenário que entrou em ação uma pastora, filha de camponeses. Joana d´Arc, aos 16 anos de idade, começou a ouvir vozes apelativas a agir na defesa do seu país. Passou por angústias e hesitações, mas era incapaz de sossegar o seu espírito… Então, juntamente com um primo foi-se encontrar com o capitão Braudicourt. Por duas vezes foi repelida, mas não desistiu. Até que encontrou dois homens de armas, que se ofereceram para a acompanhar. Algumas pessoas ofereceram-se para ajudar na compra de equipamentos. Foi ao encontro de Carlos VII. As dificuldades recomeçaram. Por fim, o rei entregou-lhe alguns soldados e ofereceu-lhe a espada.
Depois de sair vencedora de alguns recontros, o rei nomeou-a chefe de guerra. À frente da sua hoste e havendo intimado os ingleses a entregar-lhe as chaves de todas as praças fortificadas, marchou sobre Orleans. Esta praça estava sitiada por um numeroso exército. Joana investiu contra o inimigo e repeliu-o, alcançando uma esplêndida vitória (1429). Ganha a confiança das tropas, conduziu Carlos VII a Reims, através do país infestado de inimigos, tomou várias praças e fez sagrar o rei com a maior solenidade.
Neste momento entendeu que estava cumprida a missão e queria retirar-se, mas o rei pediu-lhe insistentemente que o não fizesse. Em 1430, entrou em Compiègne, cercada por ingleses e borguinhões. Estes últimos conseguiram aprisioná-la e entregá-la aos ingleses.
Acusada de heresia e feitiçaria, foi levada ao tribunal e condenada à morte por fogueira. Foi queimada viva em Ruão, em 23 de Maio de 1431.
O processo foi retomado em 1456 e saiu uma sentença de anulação da condenação anterior. A monarquia, agora vitoriosa e temida, apagava a mancha de heresia e feitiçaria que culpava Joana d´Arc. Ela tinha-se portado tão corajosamente no martírio que até os próprios ingleses, após o assassinato, exclamaram: “Queimámos uma santa”. Mas o justo reconhecimento da sua grandeza é um mérito, sobretudo, dos tempos modernos. Em 1894, um decreto do papa Leão XIII declarava-a venerável; São Pio X, em 1909, declarava-a beata; e o papa Bento XV, em 16 de Maio de 1920, declarava-a santa. O governo francês igualmente a escolheu como padroeira, com festa anual.
A Guerra dos 100 anos, iniciada em 1337, qual Hidra de Lerna (serpente mitológica de sete cabeças, que, cortadas, renasciam) sofreu um golpe fatal com a intervenção dessa Heroína, declinando a pouco e pouco até desaparecer em 1453.




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