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Merelim São Pedro e os últimos acontecimentos (Eu também vivo em Merelim São Pedro)

A freguesia de Merelim São Pedro tem sido, nos últimos tempos, assolada por uma série de acontecimentos invulgares e um tanto ou quanto pitorescos… Uma freguesia que, até há bem pouco tempo, vivia na calma e na pacatez de uma típica freguesia bracarense, vê-se agora a braços com uma série de disputas políticas, sociais e até, quem sabe, pessoais.

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20 Ago 2012

Tal como tem sido incessantemente noticiado, há, por estas bandas, e digo-o com tal “proximidade” porque também vivo por estas bandas, uma disputa cerrada pela propriedade da Escolinha da Pateira, que serviu de primeira casa das letras, dos números e das brincadeiras a uma grande parte dos merelinenses.
Se bem me lembro, a agora tão famosa Escolinha esteve votada ao abandono durante largos anos, tendo, entretanto, e pelo que se ouve na boca da gente da terra, sido reconstruída, aquando da sua cedência a uma Instituição de apoio à terceira idade, que lá se sediou durante uns tempos, até ordens de retirada por parte de “forças superiores”.
Ora, por motivos como, por exemplo, os dois que acabei de enunciar, fico agora muito admirada por haver tanta gente da nossa terra indignada e motivada para a luta que por estas bandas se tem vindo a fazer. Aliás, fico, ainda mais admirada, pela forma como as “batalhas” por cá se fazem. Então, talvez seja melhor passar à sua análise.
Se, de um lado, está uma Associação que, segundo a Junta de freguesia afirma, e passo a citar, “é filha política de um socialismo ressabiado que não soube respeitar a vontade de um povo que se expressou em liberdade em 2009”, do outro está precisamente uma Junta de freguesia, que, de há uns tempos para cá, faz questão de exaltar os ânimos e incitar as gentes de Merelim São Pedro para uma luta que tem mais de política do que de “amor” ao património construído e cultural!
Se, por um lado, a Junta de freguesia e os seus membros não se cansam de usar os meios de comunicação social e as redes sociais para usar de palavras insultuo-
sas, como por exemplo, “A concelhia do PS para manter artificialmente o “rebanho” ainda com alguma vida, criou-lhes uma associação de reformados, cujo plano de atividades é fazer passeios em catadupa com os carros da CMB, umas tainadas com os apaniguados de sempre e provocações descaradas à Junta de freguesia democraticamente eleita e em exercício”, por outro lado, temos alguém que se limita a ficar calado e assentir tudo o que se diz e escreve como que assumindo que “quem cala consente”.
Assim sendo, gostaria de deixar, enquanto cidadã eleitora desta freguesia, algumas dicas para as duas frentes de batalha:
1.º – Recordar o conceito de cidadania como “a responsabilidade perante nós e perante os outros, consciência de deveres e de direitos, impulso para a solidariedade e para a participação, é sentido de comunidade e de partilha, é insatisfação perante o que é injusto ou o que está mal, é vontade de aperfeiçoar, de servir, é espírito de inovação, de audácia, de risco, é pensamento que age e ação que se pensa” (Jorge Sampaio)
2.º – Recordar o conceito de democracia: “o sistema político capaz de garantir a igualdade política, proteger a liberdade indivi-
dual, defender o interesse comum, ir ao encontro das necessidades dos cidadãos, promover o autodesenvolvimento moral e possibilitar a tomada de decisão efectiva que leve em conta os interesses de todos” (Held, 996);
3.º – Recordar que a liberdade é algo que facilmente se confunde com libertinagem e que há uma verdade que se deve sobrepor a todas: “a nossa liberdade termina quando começa a dos outros!”
4.º – Recordar, sobretudo, que “nenhum de nós sabe mais do que todos nós!”
Posto isto, gostaria, somente, de afirmar que Merelim São Pedro é, tristemente, neste momento e por força de apelos maiores, uma terra de gente dividida que se bate entre si, ao invés de pugnar e lutar por um património que é de todos!
Consciencializem-se!
Não somos exemplo, por segundo a Junta de freguesia, termos “um projeto cultural arrojado que faz inveja a outras freguesias do concelho”; somos, ao contrário, um triste exemplo, por ao invés de haver união em prol da “fundação” de um espaço que seja comum a associações já criadas ou a criar, à Junta de freguesia e às diversas cores políticas desta terra, haver disputas tristes e simplesmente decadentes de forças que mais alto se levantam.
Merelim São Pedro pode até ter vivido anos de comodismo e de habituação, mas não é à custa de mudanças abruptas e de lutas instigadas por cores políticas, que se muda para melhor!
Lembrem-se que é na união que se faz a força e é a dialogar, por mais difícil que tal possa parecer e ser, que tudo se resolve.
É que tal como escreveu um dia Pablo Neruda, “Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.”




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