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Casamento/matrimónio de não-batizada

Embora a situação comece a tornar-se ‘normal’ no tratamento de processos de casamento/matrimónio, isto é, que uma das partes, não sendo batizada, possa contrair matrimónio com a outra parte que recebeu – sabe-se lá com que consciência! – o batismo, desde que seja concedida a dispensa de disparidade de culto, algo se está a passar e que deve levar-nos, como Igreja católica, a refletir.

20 Ago 2012

No desenvolvimento da tarefa de preparação do dito processo de matrimónio, este ano, tive a surpresa de que mais de um terço dos casos tratados envolveu que a parte não-batizada era a feminina, para alguns casos do sexo masculino.
Muitos destes ainda são dos que vêm à Igreja Católica para celebrar o matrimónio, enquanto muitos outros ou se ficam pelo casamento civil ou simplesmente se juntam, embora com razões e motivos fortes para tal opção.
Apesar de podermos aduzir uma variegada lista de questões – quase banalização do sacramento, alguma vulgarização de certas festas com cobertura da Igreja, exigências mínimas/razões máximas, uma certa socialização da fé não assumida, etc. – que nos podem ter feito chegar a este estado de razoável descristianização, parece-nos talvez oportuno refletir sobre a mudança cultural que se tem vindo a verificar: hoje a mulher/mãe/esposa perdeu uma certa espiritualidade – não será que a maternidade está também em risco? – tanto de si mesma como no seio da família e na sociedade.
Estamos a pagar, talvez, a fatura de muitas ideias que já percorreram alguns países da Europa. Lá, estão a rever as posições; nós, por cá, em Portugal, ainda parece que nem aferimos o problema. Bastará referir o papel da mulher na educação, no sentido da vida e no cuidado da família. De facto, estamos a ser embalados por modos de vida que têm mais de materialista do que de índole espiritual.

Educadora da fé e com fé, precisa-se!
Com efeito, quando vemos que a mulher, esposa, mãe, avó, não teve um mínino de introdução à fé – ter sido batizada pode dizer pouco, mas já seria alguma coisa! – algo estará em risco no futuro, pois muito do que nos foi passado de sensibilidade espiritual/cristã, bebemo-lo das nossas mães ou mesmo de mulheres catequistas.
Sem feminilizar em excesso a fé cristã, parece que corremos um sério risco de termos perdido, enquanto Igreja Católica, o vetor feminino na sua expressão crente e servidora. Mesmo sem pretendermos lançar dúvidas sobre as razões e motivos de termos ainda tantas mulheres na Igreja, este dado de que muitas das que vêm para casar já não foram introduzidas ao mínimo da fé, deverá fazer-nos pensar e criar novas estratégias para comunicar a mensagem cristã dentro e fora dos muros dos templos.
– Urge fazer serenamente o diagnóstico, sem acusações ou ressabiamentos clericais.
– Urge lançar pistas de reflexão, ajudando e sendo ajudados a perspetivar novos sinais de esperança.
– Urge reler o Evangelho e ver o papel da mulher na vida de Cristo e, posteriormente, nos primórdios da Igreja.
– Urge lançar sementes de concórdia e traçar laços de bom acolhimento.
Até deveríamos rever um certo culto mariano à luz destas mudanças sociais, culturais e espirituais!




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