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Um país sem solução

Ouve-se constantemente a dizer que os políticos nacionais são todos “farinha do mesmo saco”, não importando o partido donde provenham. Esta ideia é generalizada e já está consolidada na mente dos portugueses que aceitam esta “verdade” como facto consumado. Neste campo, não há nada a acrescentar. Os nossos políticos da governação, formados nas escolinhas das Jotas, têm-se orientado pelos padrões da incompetência, do interesse mesquinho e da vaidade.

Armindo Oliveira
18 Ago 2012

Ninguém tem dúvidas quais são os verdadeiros interesses dos políticos. O primeiro objetivo do seu militantismo obtuso é aproveitarem-se de todas as mordomias que a política lhes confere e servirem fielmente o seu próprio partido para dele retirar os proventos devidos, quando detêm a cadeira do poder. O país e os portugueses não são problema, nem motivo de grande preocupação. Sempre eles e os amigalhaços em primeiro lugar. E tanto é assim que o país, nesta democracia decadente, se arrasta nas teias da bancarrota, não havendo responsáveis nem quem responda pelo estado lastimável a que chegámos. É triste constatar esta realidade, mas as evidências da falta de pudor da classe política é notória no quotidiano nacional.
O que me espanta é que, apesar de todos os atropelos, escândalos, corrupção, má gestão, endividamentos colossais, fraudes e de todo o género de tramoias, Portugal ainda sobreviva de forma pacífica nesta União Europeia. Se se juntar a estes fenómenos degradantes da política nacional, o clientelismo, a falta de responsabilização e o despesismo que existem nos organismos do Estado que vivem, obviamente, à custa dos contribuintes, a história adquire contornos surrealistas e inacreditáveis. Manter Fundações, empresas públicas, empresas municipais e as célebres PPP nos moldes como têm sido geridas é obra e exige um esforço financeiro hercúleo a todos os contribuintes que veem, por causa disto, a qualidade de prestação de serviços na saúde, na educação, no social e na segurança a degradarem-se desmesuradamente. As incompetências pagam-se caro.
Um país que vendeu, por um prato de lentilhas, a sua indústria, a sua agricultura e as suas pescas não poderá aspirar a ter um bom futuro. Um país que manteve eleitoralmente um nível de vida incompatível com a sua capacidade produtiva só poderia seguir o caminho do endividamento e da insolvência. E a pobreza generalizada é o triste episódio que se segue. Durante anos, viveu-se no Estado dos Direitos e dos Subsídios, o que obrigava os pagadores de impostos a suportar uma carga fiscal incomportável e injustificada.
Os políticos criaram ilusões aos portugueses. Em cada ato eleitoral que se realizava, os partidos políticos, na ânsia da tomada do poder, desfaziam-se em promessas e em compromissos que exigiam elevados recursos financeiros que não existiam nos cofres do Estado. Para tapar défices e para enganar os organismos internacionais que supervisionavam as contas do país, inventavam-se receitas extraordinárias, vendia-se dívida e usava-se o velho método das engenharias financeiras. Durante anos, imperou a prática do embuste que culminou com o pedido de ajuda ao FMI, ao BCE e à CE. Quer isto dizer que se chegou ao fim da linha e, ao que parece, sem possibilidades de retorno. Agora, temos que mudar de vida e com apertos sucessivos que têm o condão de estrangular a economia.
Portugal está gravemente ferido e descredibilizado, com milhares de jovens sem qualquer esperança de emprego e de realização profissional em debandada para o estrangeiro, o que significa uma perda irreparável de uma mão de obra qualificada que não pode dar o seu contributo para se virar a página da crise. Com 1 milhão de desempregados, com mais de 1 milhão de reformados e pensionistas e com cerca de 400 mil pessoas a auferirem o rendimento mínimo, a economia não tem capacidades de gerar receitas para aguentar toda esta gente que recebe dinheiro do Estado. A sustentabilidade da Segurança Social está irremediavelmente posta em causa. É fácil de prever, que esta realidade tem os dias contados. E depois os problemas sociais multiplicar-se-ão.
Portugal não tem futuro e não tem solução com estes políticos, porque não têm determinação e coragem suficientes para agarrarem o país e acabarem com este sistema de mordomias e de impunidades que impedem que se prossiga na senda da credibilização e da moralização. Eu não acredito que tenhamos gente capaz para levar o país a bom porto!




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