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Em louvor dos avós, sobretudo em tempo de férias

Numa altura em que os horários escolares são o que todos nós sabemos e, para ajudar, os ATL das IPSS estão a ser vítimas de um atentado de destruição por parte do Serviço Público, que não tem capacidade de resposta, mas não deixa trabalhar quem sabe e pode, os avós assumem um papel de grande relevo no apoio aos netos. Daí a minha homenagem.

Maria Fernanda Barroca
18 Ago 2012

Mas, com a crise instalada, os ATL custam dinheiro e os avós são realmente o último recurso – só podem ter férias quando recomeçam as aulas. Mas isto é puro engano: quando começam as aulas, ao avós são os «motoristas» a tempo inteiro. Enquanto vão buscar os mais pequenos ao Infantário, vão levar os mais crescidos ao ténis, à natação, à patinagem, etc.. Depois, quando chegam com a «tropa» às respetivas casas, ficam a ajudar a dar banho aos mais pequenos, dar a sopinha, vestir o pijama, meter na cama e contar uma história. Isto porque, entretanto, chega a mãe ou o pai e têm que fazer o jantar para os mais crescidos. E não há como uma avó para contar, uma, duas, três vezes, a mesma história!
Claro que as avós têm de andar um pouco com os tempos. Um dia, uma senhora foi visitar a mãe e encontrou-a a ler as revistas «fofoqueiras». Entre o escandalizado e o divertido, perguntou:
Tu agora gostas disso?
– Não – respondeu a mãe, mas como é que eu posso conversar com os teus filhos se não ando a par do que eles consomem?
A propósito vou contar uma história. Uma tarde, um neto estava a falar com a avó sobre acontecimentos atuais. A dada altura perguntou:
– Avó, que idade tens?
– Bem, deixa-me pensar um minuto… Nasci antes da televisão, as comidas congeladas, a fotocopiadora, o fax, as lentes de contacto, a pílula anticoncetiva. Não existiam radares, nem cartões de crédito, nem raios laser, nem telemóveis. Não se tinha inventado o ar condicionado, os micro-ondas, as máquinas de secar a roupa.
“Gay” era uma palavra respeitável em inglês e significava uma pessoa alegre e não homossexual. De lésbicas nunca ouvi falar. Conhecíamos as diferenças entre os sexos, mas ninguém se lembrava de mudar o seu. SIDA não significava nada, aids em inglês era um ajudante de escritório.
Os casamentos não se combinavam por computador, Facebook, coisas que nem existiam. O teu avô e eu casámos e só depois vivemos juntos, e em cada família havia um papá e uma mamã.
O homem não tinha ido à Lua e não havia aviões a jacto. Não se faziam transplantes de coração e desentupiam-se canos e não as artérias. “Chip” significava um pedaço de madeira, “hardware” era a loja de ferragens e “software” não existia.
Até aos 25 anos chamei a cada homem “senhor” e a cada mulher “senhora” ou “menina”.
Ter uma relação era dar-se bem com os primos ou simplesmente ter amizade. No meu tempo a virgindade não causava cancro. As nossas vidas eram orientadas pelos 10 Mandamentos e o senso comum. Ensinaram-me a distinguir o bem do mal e a ser responsável dos meus atos.
A salsa era um condimento e não uma dança. Não havia café instantâneo nem adoçante. A gasolina custava 30 centavos o litro e uma família governava-se com um só carro. “Erva” era algo que se cortava e não que se fumava. “Coca” era uma gasosa e não se inalava.
Fomos a última geração que acreditava que uma senhora precisava de marido para ter um filho. Casas e carros alugavam-se, mas «barrigas» não.
Agora diz-me: quantos anos pensas que eu tenho? O menino respondeu:
– De certeza, mais de 100!
– Não, meu amor … Tenho só 60!




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