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Valorizemos (estes) Diplomas

Recentemente no nosso País (não sei porquê) deu-nos para desvalorizar os diplomas. Talvez por isso, nas recentes Olimpíadas, enquanto muita gente se queixava da participação dos nossos representantes eu valorizava os excelentes resultados (com direito a diploma) de alguns deles e compreendia as falhas de muitos outros.

Carlos Mangas
17 Ago 2012

Ponto prévio, para mim, participar nos JO, é por si só, uma VITÓRIA, pois lá, só têm lugar os melhores do mundo. Foi também graças aos nossos atletas Olímpicos que um País desportivamente (quase) analfabeto ficou a conhecer diferentes modalidades e atletas que ocupam o seu dia a dia numa luta constante em busca da perfeição desportiva.
Cingindo-nos à nossa representação, todos esperávamos mais dos atletas do Judo, é verdade. Mas, porquê? Porque em campeonatos europeus e mundiais já conseguiram medalhas. Ficamos tristes, mas ninguém mais do que os próprios e foi de muito mau gosto quando ainda no decurso dos JO se “acenou” com cortes nos subsídios. Foi assim a modos como num funeral, com o corpo do falecido ainda quente, começaram a fazer “partilhas”.
Mas estes JO também nos proporcionaram alegrias, principalmente a quem não vive da “medalhite aguda”. Assim, o escolarmente denominado “ping-pong” deu–nos a conhecer três excelentes mesa-tenistas que quase puseram os olhos (ainda mais) em bico aos coreanos, 2.ª potência mundial, e medalha de prata em Londres. No tiro, um quarentão que se assume atirador nas horas vagas fez as suas quartas Olimpíadas e conseguiu em duas provas distintas, os melhores resultados de sempre, 7.º e 9.º lugares, em competição com profissionais que se dedicam à modalidade a tempo inteiro. No atletismo, tivemos uma atleta, Clarisse Cruz, que tendo caído numa das eliminatórias, ainda assim conseguiu o apuramento para a final, com enorme sofrimento, se calhar ao nível do que fez diariamente quando após o horário laboral treinava para representar condignamente o País, que não a conhecia. Na Maratona, Jéssica Augusto, conseguiu um brilhante 7º lugar e se houvesse resultados por equipas, teríamos a medalha de prata pela brilhante prestação das três atletas presentes. Mas, como País de marinheiros que somos, foi na água que mais brilhamos, conseguindo no remo um 5.º lugar e na canoagem, muitas finais e uma medalha de prata.
Mas, comunicação social incluída, não vejo ninguém a valorizar também os nossos juízes-árbitros que para lá estarem foram escolhidos de entre os melhores do Mundo, e mesmo correndo o risco de me esquecer de algum, refiro os que tivemos ao mais alto nível. Foram portugueses os árbitros que arbitraram as finais de Ténis e de Voleibol de Praia. Também tivemos árbitros em finais de Ginástica. Não poderemos considerá-los ao nível dos medalhados? Infelizmente, no “melhor pano cai a nódoa”, e como adepto confesso dos jogos desportivos coletivos em geral e do futebol em particular, tenho de admitir que do que não gostei mesmo nestas Olimpíadas foi da (não) participação dos nossos representantes nestas modalidades.




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