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Outro Ponto de Vista

“Dentro de uns anos, se ainda houver disponibilidade para estas coisas, os historiadores hão-de debruçar–se sobre um dos maiores mistérios da história política contemporânea: como é que aqueles que foram responsáveis por este absoluto desastre que atingiu todo o sistema de economia de mercado do mundo ocidental, foram depois chamados para reparar os danos.” (Miguel Sousa Tavares)

Acácio de Brito
17 Ago 2012

A lucidez de Miguel Sousa Tavares, presente, também aqui neste pré-texto, permite-nos não só exigir responsabilidades a quem as tem, como ter algum otimismo num futuro que se espera exigente e diferente.
Se coligirmos, ainda, este modo de pensar o quotidiano com o defendido pelo politólogo Adelino Maltez, o otimismo de um futuro diferente é plausível de ser vivenciado.
Todavia, este caminho de pedras, vereda de dificuldades, pode ser feito se atendermos ao errático do que tem sido realizado.
O sonho que nos propõe Adelino Maltez não pressupõe um sono, mesmo dos justos, mas sim um trilhar novo que assenta basicamente na Educação, rentabilizando os recursos humanos, hoje imensos, de tantos, não os deixando sair deste retângulo, capitalizando deste modo o seu olhar mais culto e mais exigente ao serviço de uma comunidade que necessariamente ficará diferente.
Desta postura, necessariamente de rutura paradigmática, com o “deixa andar que depois logo se vê”, teremos um país novo. Mais democrático, porque mais participativo. Mais económico, porque menos permeável à corrupção. Mais humano porque menos desigual!
Não obstante esta postura de otimismo antropológico, outros momentos persistem em nos inquietar.
O fazer de conta que se tem competência para algo, quando não se faz prova, nem académica, nem outra que conte, é prática de que os media nos vão dando nota.
Não refiro o propalado caso do ministro turbo-licenciado, mas sim a referência à situação vivenciada por alguns que, se não fosse trágico, até tinha o seu quê de cómico!
Existem professores que fizeram o seu percurso normal. Frequentaram os seus cursos em Universidades, fizeram os estágios profissionais e durante anos foram docentes em full-time. Hoje, alguns desses correm o risco de não poder exercer o seu mister. Porque não há alunos!
Contudo, existem no sistema, ainda, docentes com apenas o antigo 5.º ano, hoje 9.º ano, que, por força de equivalências e outras habilidades, estão no topo da carreira. E têm horário!
A situação descrita, empiricamente constatada, verificou-se quando um docente licenciado em Arquitetura foi preterido por um outro/a que apresentava como habilitação profissional um curso de lavores…”
Mas esta não é uma situação virgem.
Não foi por acaso que chegámos à situação que hoje vivemos.
Auditem-se com seriedade alguns serviços ligados à Educação e, depois, exijam-se responsabilidades.
Choca-me assistir à saída do país de tantos recursos qualificados e permanecerem alguns “mestres e doutores de aviário”, que só incomodam, e o que fazem, fazem-no mal feito!
Este é um país que não queremos!
Queremos um país que valorize o mérito, a qualificação, e que exija que os melhores se disponibilizem a servir.
Este é o sonho que intelijo, também, em Adelino Maltez: educação qualificante e qualificadora nos efeitos.
Este é o momento responsabilizador para que nos alerta Miguel Sousa Tavares: melhor educação, maior responsabilização e otimismo num futuro que se espera e deseja exigente e diferente.




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