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A Arte de Furtar

Carta Aberta ao Senhor 1.º Ministro, com Cópia directa ao Senhor Ministro das Finanças, ao Venerando Chefe de Estado e Líderes Parlamentares de todos os Partidos com assento na Assembleia da República.Exm.º Senhor 1.º Ministro
Vossa Excelência nunca me terá lido aqui no Diário do Minho, o mais importante Jornal da quiçá 3.ª Cidade do País o que obrigava V.ª Ex.ª, se tivesse vontade de saber que pensam os Portugueses, a ler ou mandar ler.

Gonçalo Reis Torgal
17 Ago 2012

Talvez V.ª Ex.ª também diga, com louvável franqueza, que não lê Jornais. Isto é, também V.ª Ex.ª não tenha interesse em ter notícias de PORTUGAL. Quiçá leia algum semanário onde terá alguém que, a mando ou por paixão (Honni soit…), escreva o que Vos agrada. Mas um Semanário não é um Jornal. Um Jornal, para o ser, sublinhava o notável Jornalista Raul Rego, tem de dar notícias. Só por notícias, mesmo que de faca e alguidar, como alguns desdenham dos Jornais que as trazem, V.ª Ex.ª pode saber de PORTUGAL. Nesta linha de não querer saber, V.ª Ex.ª nunca terá lido o DM e menos ainda o que nele escrevo. V.ª Ex.ª ignora que me socorro dos Livros para intitular as minhas Crónicas. O Título liga-se ou é raiz do que escrevo. Daí A Arte de Furtar. Não foi primeira escolha este título atribuído ora ao Padre António Vieira, ora ao Padre Manuel Bernardes. V.ª Ex.ª, se se dignar ler-me, entenderá a situação disjuntiva e concordará com o hesitar. Na verdade, face à razão desta Carta Aberta, pensei no título que Fernando Vizcaíno Casas, que aprecio pela bem humorada e lúcida visão, deu, em tempo de muita corrupção política, a obra sua: …Y los 40 ladrones (1994). Comecei a contá-los. Já ia além do meio cento. Entendi, que não batia a bota com a perdigota. Além do mais, prefiro, ao invés de V.ª Ex.ª, o que nosso é. Optei pela obra do Padre Manuel da Costa, como julgo assente. Ajuda-me o Padre seiscentista a denunciar V.ª Ex.ª e os ministros que o acompanham. A V.ª Ex.ª, Senhor 1.º Ministro, não cabem os atributos que o Autor da Arte de Furtar considera validos de D. João IV, que V.ª Ex.ª ignora, pois entende não ser de glorificar o dia em que, aceitando ser Rei, salvou a Pátria. Esses validos eram VERDADE E MERECIMENTO. À Verdade falta V.ª Ex.ª sem decoro, no dia–a-dia da governação. Merecimento não se lhe adapta, pois pouco o tem tido, no constante dar ordens para roubar os pobres e enriquecer os poderosos.
Isto vem ao encontro da razão próxima desta Carta. O caso é que, acabo de pagar o IRS que V.ª Ex.ª mandou “roubar-me”! Pago este, bem como o imposto que era de circulação e já não é, foi-se-me a Pensão de Reforma para a qual trabalhei e descontei quarenta anos. V.ª Ex.ª mandou “roubar-
-me” o que eu pensava estar salvaguardado pela Constituição que V.ª Ex.ª não respeita. E não me venha V.ª Ex.ª dizer que eu tenho mais do que muitos portugueses. O que tenho ou a que julgava ter direito, ganhei-o, formando-me a trabalhar e não num ano nem ao domingo e muito labutei para fazer digno jus a tal. V.ª Ex.ª, vivendo na e da política, da J a 1.º Ministro, não sabe o que é trabalhar; não entende pois, os sacrifícios (roubos) que impõe aos portugueses. Ou quererá V.ª Ex.ª retomar o princípio Socialista de que, para não haver uns a ganhar 50 e outros 30, todos ganhariam 20? Fora boys do Partido ou intocáveis por compadrio, claro.
Conjugando este veraniego golpe no não muito que ganho, com o não devolvido do que por mês me foi “roubado” para igual Imposto, e me devolveram em 2011, dos 12 meses que tenho direito a receber, V,ª Ex,ª “roubou-me” quatro. Se considerar o que, mês a mês, manda extorquir-me: desses 12 meses, cinco foram para o luxo de carros topo de gama de V.ª Ex.ª e Ministros; salários escandalosos a gestores públicos; tachos dos boys; milhões gastos na RTP e Escritórios de Advogados; que sei eu, que bem sabemos todos. Senhor 1.º Ministro, “roubar” assim, qualquer um, é acto de que V.ª Ex.ª se deveria envergonhar. “Roubar” o fim de vida que pensou de descanso e sem preocupações, a um “velho” de oitenta anos (a quem já roubara quiçá as últimas férias possíveis) é insulto canalha e desumano de vil Alcaide.
A Arte de Furtar não ensina a “ROUBAR”, diz como roubar e quem rouba, para o rei lhes dar “o castigo que merecem”. V.ª Ex.ª sabe quem rouba, mas, sem merecimento de bom Rei, permite e não castiga. V.ª Ex.ª, por mau rei, tem afiadas “as unhas com que roubar”, da maneira como os reis podem roubar: “Primeir,a furtando a si mesmo. Segunda, a seus vassalos. Terceira, aos estranhos em gastos inúteis, tributação excessiva e guerras injustas.” Só da última estará isento V.ª Exª.
Em 1920 Ayn Rand afirmou:
“Quando perceber que o dinheiro [enche quem] negoceia não com bens, mas com favores; que muitos ficam ricos pelo suborno e influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário; que a corrupção é recompensada, e a honestidade auto sacrifício; poderá afirmar, sem temor de errar, que a sociedade está condenada”.
A nossa está, Senhor 1.º Ministro.
Fraternalmente




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