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A recuperação dos verdadeiros valores humanos (20)

A vida é uma questão de fazer escolhas acertadas. Quase todos nós podemos, pelas escolhas que fizermos, transformar este mundo num paraíso ou num inferno. Se conhecermos os princípios corretos e os aplicarmos adequadamente, temos o êxito assegurado, porque eliminamos os riscos.

Artur Gonçalves Fernandes
16 Ago 2012

É célebre a fórmula usada por Benjamim Franklim para tomar decisões: “Quando se me apresentam dois caminhos a seguir escrevo num papel todos argumentos a favor de cada um deles – e depois escrevo nas costas do papel todos os argumentos contra. A seguir, pesando os argumentos pró e contra vou-os riscando aos pares, e tomo o caminho indicado pelos argumentos que restam”.
De facto, qualquer critério, mesmo o mais ajustado, se não for seguido da ação, pode tornar-se inútil. Se não se atuar, de nada vale possuir uma imensa quantidade de saberes. Só aplicando os nossos conhecimentos e as nossas convicções, dando, todos os dias, um passo em frente na direção que escolhemos, é que conseguiremos atingir os nossos objetivos. O critério judicioso, correto e racional, que implica, por si mesmo, a honestidade, a lealdade, a verticalidade e a cortesia, não se encontra à venda em qualquer loja ou grande superfície comercial. Adquire-se pelo esforço diário de cada um de nós, nas nossas atitudes, nos nossos comportamentos e na análise constante das situações que nos surgem, inquirindo os seus porquês, não descansando até encontrar as respostas tidas como as mais adequadas. As nossas respostas podem nem sempre estar certas, mas pertencem a cada um de nós.
Quando descobrimos o erro, devemos procurar corrigi-lo eficazmente. Tomar uma decisão, confiante de que está certa, torna a vida mais agradável. O objetivo fundamental de todas as decisões é julgar o seu valor e encontrar a verdade. Os abúlicos, os indecisos, os periclitantes não conseguem tomar decisões definitivas e proveitosas. O seu caráter não é firme nem seguro, palmilhando sempre terrenos movediços e perigosos. Não têm força de vontade e, para não arriscar ou por indolência, adiam a decisão e, quando a tomam, ela já vem fora de tempo e os efeitos são desastrosos. A sua consciência moral está mal formada, não os levando a reconhecer-se corretamente como autores das suas próprias ações. Não ponderam, em tempo oportuno, se devem ou não executar certa ação, não estando, nesse caso, em condições de apreciar o seu valor e a sua utilidade para si e para os outros.
O homem é um ser essencialmente dinâmico, nascendo para agir e, assim, a sua consciência, quando bem formada, diz-lhe para atuar  no momento certo, levando-o a atribuir valor à sua ação e a responder por ela, uma vez que é um ser livre e responsável. A liberdade é uma conquista constante, um processo de libertação das limitações que constantemente procuramos superar, respeitando, no entanto, as leis e os direitos e liberdade dos outros. A liberdade supõe a existência de condições e normas, que a podem limitar, mas é no enquadramento dos condicionalismos que o ser humano realiza o sentido das suas escolhas e se faz um ser plenamente livre. A vivência da liberdade humana no interior duma comunidade com leis próprias faz do homem um ser autónomo e consciente, capaz de decidir e aderir a valores de sentido universal. Pela liberdade, o homem faz-se responsável pela sua própria ação e adquire uma dignidade própria: torna-se pessoa moral, ou seja, um ser individual autónomo e criativo que se realiza na livre disposição de si próprio, consciente dos seus direitos e deveres e capaz de se propor projetos e ideais a realizar livre e responsavelmente.
O homem tem a obrigação de fazer as suas escolhas e de as realizar de acordo com a sua consciência, tendo em vista os seus objetivos, sabendo de antemão que elas encerram uma carga de valores morais que, por essência, exigem ação. Os valores morais não se ficam por um simples dever-ser, mas implicam um dever-fazer.




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