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A Nova Evangelização 2

Introduzido pelo Papa João Paulo II, durante a sua visita apostólica à Polónia, o termo “nova evangelização” – inicialmente usado sem qualquer ênfase e quase não deixando pressagiar o papel que depois assumiria – foi por ele retomado posteriormente, e relançado, sobretudo, no seu Magistério dirigido às Igrejas da América Latina.

Silva Araújo
16 Ago 2012

O Papa João Paulo II recorre a este termo para fazer dele uma rampa de lançamento; apresenta-o como um meio de comunicação de forças com vista a um novo ardor missionário e evangelizador.
Aos Bispos da América Latina diz-lhes: «A comemoração do meio milénio de evangelização alcançará o seu significado pleno se for um compromisso vosso como bispos, juntamente com o vosso Presbitério e com os vossos fiéis; compromisso não certamente de reevangelização mas de uma nova evangelização. Nova em seu ardor, em seus métodos, em suas expressões».
 
Não se trata, salienta João Paulo II, de fazer de novo qualquer coisa que foi mal feita ou que não funcionou, como se a nova ação fosse um implícito juízo sobre o falhanço da primeira. A nova evangelização não é uma duplicação da primeira, não é uma simples repetição, mas é a coragem de ousar novos caminhos, para atender às mudanças de condições dentro das quais a Igreja é chamada a viver hoje o anúncio do Evangelho.
O continente latino-americano era chamado naquela época a confrontar-se com novos desafios (a propagação da ideologia comunista, o aparecimento das seitas); a nova evangelização é a ação sucessiva ao processo de discernimento com a qual a Igreja na América Latina é chamada a ler e a avaliar a situação na qual se encontra.
 
Nesta aceção, o termo é retomado e relançado no Magistério do Papa João Paulo II, dirigido à Igreja universal. «A Igreja deve hoje enfrentar outros desafios, lançando-se para novas fronteiras, quer na primeira missão ad gentes, quer na nova evangelização dos povos que já receberam o anúncio de Cristo. A todos os cristãos, às Igrejas particulares e à Igreja universal, pede-se a mesma coragem que moveu os missionários do passado, a mesma disponibilidade para escutar a voz do Espírito»: a nova evangelização é, antes de mais, uma ação espiritual; a capacidade de assumir, no presente, a coragem e a força dos primeiros cristãos, dos primeiros missionários.
«A Igreja, afirmou também, deve dar hoje um grande passo em frente na sua evangelização, deve entrar numa nova etapa histórica do seu dinamismo missionário. Num mundo que, com o encurtar das distâncias, se torna sempre mais pequeno, as comunidades eclesiais devem ligar-se entre si, trocar energias e meios, empenhar-se juntas na missão, única e comum, de anunciar e de viver o Evangelho». “As Igrejas ditas mais jovens – disseram os Padres sinodais – têm necessidade da força das mais antigas, enquanto que estas precisam do testemunho e do entusiasmo das mais jovens, de forma que cada Igreja beneficie das riquezas das outras Igrejas”».
 
Recorre-se ao termo nova evangelização para indicar o esforço de renovação que a Igreja é chamada a fazer para estar à altura dos desafios que o contexto social e cultural de hoje coloca à fé cristã, ao seu anúncio e ao seu testemunho, como consequência das profundas mudanças em curso. A Igreja responde a estes desafios não cruzando os braços, não fechando-se em si mesma, mas através do lançamento de uma operação de revitalização do seu próprio corpo, tendo colocado no centro a figura de Jesus Cristo, o encontro com Ele, que doa o Espírito Santo e as energias para um anúncio e uma proclamação do Evangelho através de novos caminhos, capazes de falar às culturas de hoje.
 
Nova Evangelização não significa um “novo Evangelho”, porque «Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre» (Hb. 13,8). Nova evangelização significa: uma resposta adequada aos sinais dos tempos, às necessidades dos indivíduos e dos povos de hoje, aos novos cenários que desenham a cultura através da qual dizemos a nossa identidade e procuramos o sentido das nossas vidas. Nova evangelização, portanto, significa promover uma cultura profundamente enraizada no Evangelho; significa descobrir o novo homem em nós, graças ao Espírito que nos foi dado por Jesus Cristo e pelo Pai.
 
Ao que é a nova evangelização se refere também, em pormenor, o Instrumento de Trabalho do próximo Sínodo dos Bispos, nos números 45-50.




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