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A instrumentalização dos dois mundos

Na peugada do fervoroso desejo de Dante Alighieri, o ávido descortinador do homem novo, do homem que banha as suas atitudes nas ondas renovadoras dos meandros do seu viver, também nós, hoje, ansiamos por reviver e acompanhar a tónica do seu desejo.

Benjamim Araújo
15 Ago 2012

Vou lançar esta pergunta nas asas do vento: Qual será a fonte mais viva e límpida, capaz de dessedentar a voraz sede do dealbar do homem novo? Como é que o homem decrépito e andrajoso regressará às suas origens renovadoras?
À autoconstrução do homem novo parece presidir, segundo Dante, uma dialética entre dois mundos inseparáveis: o mundo natural e o outro mundo, o mundo sobrenatural (o mundo religioso e o mundo metafísico). Entre estes dois mundos, cooperam entre si as energias dialéticas da liberdade, determinação e sabedoria e as energias dialéticas da libertação, harmonia, paz e felicidade. Desta cooperação renasce, então, o homem novo, esculpido e materializado, com toda a simplicidade, no meu artigo anterior.
Entre estes dois mundos, auto se constrói e reconstrói o homem novo, segundo as suas potencialidades, limitações, condicionalismos e circunstâncias. O homem novo, em jeito de síntese, é aquele que, consciente e livremente, se deixa instrumentalizar em ordem ao seu autêntico e transcendente ser. A identidade deste seu ser espelha-se na via látea da vida, do amor, beleza, paz, sabedoria, autenticidade, verdade e globalidade. Tudo o que é instrumentalizado em função deste ser, goza, em unicidade, autenticidade e globalidade, desses mesmos predicados, inerentes ao seu ser autêntico e objetivo.
Tudo isto se passa com a mente em seus pensamentos, quando está instrumentalizada em ordem à verdade do ser vital, para a descoberta das verdades existenciais. O mesmo acontece com a democracia e a liberdade, com o intelecto e a vontade, quando estão instrumentalizadas em ordem à igualdade, fraternidade, luz e felicidade, inerentes ao nosso ser transcendente.
Geralmente, tal não acontece no mundo em que vivemos. É o mundo  dos equívocos, das promessas ocas, das segundas intenções que, ao ser desconectado do nosso mundo transcendente, nos lança no fosso da miséria. Aqui, o homem é fortemente instrumentalizado em ordem ao desejo de poder, de autonomia, fama, prestígio, riqueza, prazer. E, para mais reforçar a ansiedade e o medo, procura instrumentalizar os seus dependentes em função da sua própria instrumentalização. Geram-se ameaças e vinganças. Atira-se com promessas, exigindo contrapartidas. Recebem-se desilusões. É o que se passa no campo social, no campo laboral, no campo político (como nas assembleias da República, das autarquias ou das freguesias).
O líder, sobre o qual deve recair a nossa escolha, tanto para liderar o povo no campo político, como no campo social ou religioso, é o homem novo. É o homem vestido a rigor pela alfaiataria do nosso ser autêntico e transcendente, em sintonia com o ser Divino.




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