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Dias longos… larga esperança!

Agosto é o mês de férias preferido por aqueles portugueses que, mesmo suportando todos os ajustamentos, ainda conseguem planear alguns dias de descanso fora do seu domicílio habitual. É um tempo de pausa e de descontração que convida à leitura sem pressa, à reflexão do passado recente e à planificação do futuro que se aproxima.

J. M. Gonçalves de Oliveira
14 Ago 2012

É nesta feliz circunstância que registei, com agradável surpresa, as palavras escritas em 1957, pelo Professor Doutor Lúcio Craveiro da Silva, no ensaio sobre Comunidade Internacional, Comunidade Europeia e Soberania Nacional.
Nesse estudo, Lúcio Craveiro, numa afirmação autenticamente visionária, afirma que “a única verdadeira dificuldade à formação de um concerto universal da comunidade humana provém sobretudo das paixões, dos egoísmos, dos vários elementos de desagregação. Esta situação é dolorosa e constitui a maior crise dos povos e em especial da Europa. Vencê–la é caminhar para o progresso contido nas premissas da mensagem histórica e redentora da alma-mater – Europa”.
Ao verificar que a construção europeia permanece envolta em demasiadas dúvidas e incertezas, não precisamos de procurar muito para encontrar as suas causas nas paixões e nos egoísmos que, há mais de cinco décadas, o saudoso catedrático referia.
Não é verdade que a Europa se encontra prisioneira da Alemanha que tarda em definir se deseja ser o motor do velho continente ou se, pelo contrário, pretende submetê-
-lo a um germanismo que todos os outros países rejeitam? E que dizer dos egocentrismos dos nórdicos que, exacerbando nacionalismos latentes, teimam em rejeitar as particularidades dos seus parceiros do sul? Ou ainda, de forma mais vincada, a progressão do euroceticismo nos povos britânicos? Não constituirão estes factos paixões e egoísmos e bons exemplos de elementos de desagregação que, a não serem atempadamente debelados, levarão à derrocada da construção europeia?
Por outro lado, a nível interno, ao fazer uma breve retrospetiva dos últimos meses, ressalta a austeridade omnipresente no quotidiano da maioria dos portugueses e as gravosas consequências da crise que a provocou. Aqui, surge o desemprego no primeiro plano de muitos outros dramas. É certo que foi significativamente recuperada a credibilidade externa e existem sinais evidentes da evolução favorável de alguns parâmetros, traduzidos no crescente aumento das exportações e na redução do valor dos produtos importados. Contudo, apesar destas boas notícias, persistem grandes incertezas quanto aos condicionalismos externos que podem fazer perigar todos os sacrifícios concretizados.
Na estação de longos dias e de mais breves madrugadas é tempo de renovar a esperança. É uma oportunidade para planear e circunscrever, com grande realismo, o futuro próximo. É ocasião de fazer sobressair o que de mais positivo temos ao nosso alcance e de valorizar tudo aquilo que nos tem passado despercebido.
Somos um país de clima ameno, de múltiplas e diversificadas belezas, de gente acolhedora e afável e onde, apesar de alguns sinais perturbadores, é seguro viver.
Possuímos elevado potencial turístico, pelas nossas condições naturais e pela monumentalidade histórica que temos e, no mar que nos envolve, largos horizontes por descobrir. No campo, existem potencialidades por explorar e, no subsolo, riquezas que nos poderão surpreender. E somos um povo de têmpera que, em condições adversas, saiu sempre vencedor.




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