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A propósito dalguns “reparos” às mudanças de párocos

1 Atualmente, a liberdade de expressão é usada de forma algo irresponsável. A liberdade tem regras que cada um deve observar. Lançam-se suspeitas sobre pessoas e comportamentos, denigrem-se instituições milenárias como a Igreja Católica, suas práticas e pessoas mandatadas pelo Fundador para a servir.

P. João B. Mota
13 Ago 2012

Pelo que é lícito interrogar: afinal, estão a referir-se a um qualquer “clube” mesmo religioso, ou à Igreja Católica instituída por Cristo? Cada membro que se sente minimamente honrado de ser membro, e com responsabilidades de publicitar o seu bom nome, reage. “Quem não se sente, não é filho de boa gente” – diz com sabedoria o povo. Cada organismo, seja de cariz politico, militar ou jurídico tem a sua orgânica definida pelos fundadores e aperfeiçoada pelos sócios e simpatizantes. De modo semelhante, a Igreja. Ela é de instituição divina e não fruto duma qualquer decisão parlamentar, dum governo. Foi dotada pelo Fundador duma orgânica própria. Rege-se por um corpo de pessoas denominado Hierarquia, com diversos níveis de responsabilidade, que a promove e rege, sob a autoridade de Cristo, a pedra angular.  Esta Hierarquia não resulta de um qualquer concurso nem pressão das bases. Cristo, enviado de Deus, chamou, formou e confiou poderes a alguns discípulos para agir em seu nome, não em nome de pessoas ou interesses. “A Diocese é a porção do Povo de Deus que se confia a um Bispo, coadjuvado pelo seu presbitério, de tal modo que, unida ao seu pastor e reunida por  ele no Espírito Santo por meio do Evangelho e da Eucaristia, constitui uma Igreja particular, na qual está e opera a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica” (Decreto sobre o Múnus dos Bispos, n.º11)
2. Entramos no cerne da questão – as mudanças de padres nas paróquias (ou mesmo dum ou outro Bispo). A Igreja Católica é servida por mortais, imperfeitos, capazes do erro, da busca de protagonismo ou satisfação de interesses pessoais, ou de grupos de pressão. A história duas vezes milenária comprova isto mesmo. Houve, através dos tempos, períodos luminosos e outros de “trevas”. Foi terrivelmente provada nos primeiros tempos do império romano, não porque lutasse pelo poder ou desrespeitasse a autoridade, mas porque denunciava arbitrariedades e promovia a dignidade e direitos de todo o ser humano. Quando a Igreja – hierarquia e membros – se acomoda, geralmente ninguém se mete com Ela. Mas, quando, a exemplo do Seu fundador e obedecendo ao mandato, pregai a Boa Nova, a conversão e a desinstalação, surgem os “incómodos” de pessoas e grupos instalados e, em consequência, a perseguição – verbal, escrita e mesmo física. E das formas mais variadas.
Referimo-nos às “mudanças” de padres que, nesta ocasião, acontecem em todas as dioceses de Portugal, como na Igreja doutros países. É lícita a pergunta que muitos, mal informados, fazem: porquê mudar? Alguns até afirmam: “tiraram-nos” o Padre! E, em desacordo, surge também este questionamento: mas, o padre é “propriedade” dalgum grupo de pessoas ou dalguma comunidade? O grupo ou a paróquia concorreu em algum concurso? O padre “vendeu-se” ou está hipotecado a algum Clube ou  grupo de “interesses instalados”?
Por que razões tanta contestação em Fafe, quando, na quase totalidade das comunidades, houve festa na saída duns e na entrada doutros? Eu, pessoalmente, como muitos outros, pedimos a mudança, por razões diversas – idade, saúde, frequência do “ano sabático” ou porque sentimos que nos falta “pedalada” para acompanhar as “exigências” da comunidade e o seu crescimento.
Assim aconteceu comigo, no final de cinco anos no Seminário, após a ordenação; depois de 16 anos em Antime. Já em Castelões, com 15 anos, tinha vontade de permanecer, a idade ia andando… Entretanto, houve uma conversa com o Bispo D. Jorge que precisava dum padre para Fafe (em Serafão, Golães ou…). Dialogámos e obedeci.
Porquê tanta contestação e da forma como esta se processou? Ilegalidade no “concurso” ou  ausência de maturidade na fé que se diz professar por parte dalgumas pessoas? Onde assenta a fé duma comunidade que “contesta” deste modo? Eu, em Antime como em Castelões, agradeci a amizade e colaboração e lancei o desafio: – Onde assenta a fé de cada um? No Padre, no Bispo, ou em J. Cristo? Disse-lhes que, pessoalmente, a minha assenta em J. Cristo. Obedeço a Cristo na pessoa do Bispo. E foi linda a despedida. Em Castelões, fizeram festa, como em Antime. Fui à tomada de posse do sucessor, combinei com ele e com D. Jorge algumas coisas, e vieram em grande número a Golães. Estes comportamentos das comunidades alegram-nos, dizem que valeu a pena o nosso trabalho em conjunto.  É sempre tempo de  “retificar” aquilo que esteve menos bem. É urgente cada  um responder com a vida à pergunta: onde assenta a minha fé?




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