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Os professores desempregados

Para a maior parte das pessoas – e temos de admitir que se trata de uma campanha bem orquestrada pelos mesmos do costume – este problema do desemprego dos professores é resultado de medidas economicistas dos diversos governos (de centro esquerda ou centro direita) que passam pelo poder. Os sindicatos e seus membros, mas também algumas oposições, acusam sempre o Governo como o responsável pela situação.

José Carvalho
11 Ago 2012

Como nos diz o jornalista José Manuel Fernandes: vai por aí um enorme choradinho sobre o facto de, em 2012/2013, o Ministério da Educação ir contratar menos professores. E por muitos professores do quadro irem ficar sem turmas. São os famosos professores com horários zero. Acusam-se os mega-agrupamentos, a revisão curricular e o tamanho das turmas, como se medidas destinadas a gerir melhor os recursos humanos não fossem necessárias, como se o dever do Estado fosse arranjar emprego para todos os professores e não utilizar da melhor forma o dinheiro dos impostos. Esquecem que ao Estado não compete arranjar emprego para toda a gente.
No meio de todos os «slogans» conhecidos, ninguém refere um dado essencial: há menos alunos nas nossas escolas. Há menos alunos porque os portugueses desde há anos que deixaram de ter muitos filhos. E basta consultar os dados estatísticos. No ensino básico, por exemplo, em 1985 (ano em que entrei na escola primária) havia 1.487.600 alunos no ensino público. Em 2011, já só eram 932.297. Nos cursos gerais do ensino secundário o pico foi atingido em 1996, com um total de 272.951 alunos, mas em 2010 já só eram 175.658.
A população portuguesa, e isto não é novidade para ninguém, – todos os anos o dizemos aos nossos alunos, inclusivamente já o escrevemos em vários artigos – tem vindo a envelhecer. Mais: o número de jovens vem diminuindo, o que faz com que, desde os anos 90, o número de alunos tenha caído mais de 30%. No entanto, o número de professores passou de 120.000 para 146.000, ou seja, aumentou 21%.
Poderá alguém explicar aos sindicatos dos professores, aos senhores jornalistas, aos próprios professores e aos cidadãos que, com menos alunos nas escolas, porque há menos portugueses em idade escolar (uma escolha dos portugueses que têm menos filhos, não de nenhum Governo. Agora, o que o Governo pode fazer, e isso é um outro assunto, é dar incentivos para que os portugueses tenham mais filhos), necessariamente haverá menos postos de trabalho para os docentes?
Apetece perguntar a cada um dos professores quantos filhos tem ou pensa ter. Porque enquanto os portugueses decidirem não ter filhos ou ter poucos não se podem depois queixar da falta de emprego e os professores da falta de colocações.
Os «camaradas» e os grupos defensores-dos-pendurados-no-Estado acham que o Estado devia criar empregos para absorver os professores desempregados. Mas será que ainda se pode levar esta malta a sério?!




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