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Negócio rentável, mesmo em tempo de crise

Parece que, nos tempos atuais, uma coisa que está a dar dinheiro é falar ou escrever contra a Igreja.Michael Coren, escritor e jornalista canadiano, acha isso uma visão redutora e assim escreveu um livro: “Why Catholics Are Right”, traduzido em espanhol “Por qué los católicos tienen razón”, onde analisa as críticas mais comuns contra a Igreja.

Maria Fernanda Barroca
11 Ago 2012

Coren nasceu numa família laica, de pai judeu, e fez-se católico aos 20 anos. Na introdução do seu livro explica como ser judeu o ajudou na sua carreira, mas a fé católica que abraçou causou-lhe a perda de dois postos de trabalho e, como jornalista, muitas portas se lhe fecharam na cara. 

Começa com um tema de que nunca quis falar, mas em cons-
ciência pareceu-lhe bem abordá-lo: o escândalo causado por certos comportamentos incorretos do clero. Mas Coren põe o dedo na ferida. Enquanto muitos críticos apontam o mal para as estruturas da Igreja católica, Coren chama a atenção que o mesmo se passa com o clero doutras religiões e até com mais frequência.

Quando os amigos souberam que ele escrevera um livro a favor da Igreja, começaram a levantar objeções: “tu deves ter cuidado com o que escreves, podes ofender as pessoas”. Coren contrapõe: “é estranho; quando eu sugeri que ia escrever livros como, “Por que é que os liberais têm razão?”, ou “Por que é que os muçulmanos estão certos?”, todos acharam razoável.

Coren sabe que o seu livro vai ser muito criticado e até ridicularizado, mas não se importa, pois sabe que está dentro da Verdade e se escreve não é para atacar ninguém, mas para esclarecer quem tiver boa-fé.

Ele não foge às dificuldades e aborda o assunto das Cruzadas, da Inquisição, da vida e da sexualidade.
 
Para ele, é um erro considerar as Cruzadas como uma espécie de imperialismo e colonialismo. Diz-se que as famílias nobres chegaram à bancarrota para armar cavaleiros. Investigações modernas, desmentiram também que os cruzados fossem mendigos em busca de pilhagem. Coren continua a afirmar que era a fina-flor da cavalaria europeia quem compunha as Cruzadas. Nos territórios conquistados, a população muçulmana continuava a sua vida normal e se houve vontade de os converter ao catolicismo, isso era legítimo.
Quanto à Inquisição, limita-se a achar ridículo afirmar-se que só a «perversa» Igreja católica podia ter inventado tal. E completa: foram assassinados mais homens e mulheres num par de semanas da Revolução Francesa que num século de Inquisição. E, segundo o seu pensamento, podemos tirar o adjetivo “católica” à Inquisição, pois em vários países protestantes havia «Inquisições», sobretudo voltadas contra a bruxaria. O objetivo da Inquisição católica era combater os erros doutrinais e as heresias e a tortura de que a acusam era aplicada pelas autoridades seculares.

Quanto às riquezas da Igreja, num mundo onde milhares morrem de fome, é um argumento gasto: as riquezas são património da Humanidade. Vendê-las para matar a fome é uma quimera – cedo acabavam e a fome continuava. Mas não falam que a Igreja católica constrói e dirige hospitais, escolas e outras instituições a custo zero.

Outro «crime» grave é a defesa da vida que começa com a conceção –  o feto é uma vida humana distinta e como tal tem o direito a existir. Não pode ser tratado como um tumor que tivesse aparecido no útero de uma mulher. Defende a Igreja os tratamentos intra-uterinos, para corrigir malformações, mas não aceita que a amniocentese seja uma sentença de aborto.

Opõe-se ao uso das células-madre embrionárias, que não têm tido sucesso, mas apoia o uso de células-madre de adultos, essas sim, com sucesso na cura de doenças. Esteve sempre contra o uso do preservativo e dos anticoncetivos e o tempo deu-lhe razão – as doenças de transmissão sexual, os divórcios, o onanismo, aumentaram exponencialmente.

Quando Bento XVI, a bordo de um avião que o levava a África, se manifestou contra o preservativo para controlar a sida, foi chamado pouco menos de «assassino». E os resultados estão à vista. No Uganda, enquanto vigorou o lema «fidelidade e abstinência», a sida quase foi extinta. Com a mudança de política, a pandemia voltou.

E o autor termina com um conselho muito sensato aos críticos desinformados: pensem e concordem, pensem e discordem, pensem o que quiserem, mas em nome de Deus e da Igreja que Ele nos deixou, por favor, pensem.




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