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Outro Ponto de Vista

“Nove de agosto de 2007, o dia em que o mundo mudou” (Adam Applegarth)
O anúncio da falência iminente do banco britânico Northern Rock em agosto de 2007, início visível do desvario e descontrolo hoje vivenciados, mereceu, então, dos nossos responsáveis comentários que, se vivêssemos num mundo de exigência de responsabilidades, seriam punidos, pelo que revelavam de profunda ignorância e desconhecimento.

Acácio de Brito
10 Ago 2012

O “primeiro” de então estava no apogeu do “porreiro pá”; o ministro das Finanças, ilustre professor da área, entretinha-nos, assobiando para o lado; do governador Constâncio nada consta; e  quanto ao atual presidente, estava em convergência estratégica! E tinham obrigação de perceber o que se passava. Afinal são especialistas na dita “ciência” das economias e finanças. Se não o entenderam, então… nada a dizer, tudo a pensar!
Em 2012, vivenciamos as agruras, fruto de muita irresponsabilidade.
Não deixa de ter o seu quê de caricatura que, também por essa altura, e mesmo depois, se anunciavam ao país e ao mundo investimentos em todas as áreas. Bancos que mudavam de dono, milhões que se iriam investir no Alqueva, em fábricas de pilhas e em projetos de painéis solares, enfim, um sem número de projetos com um denominador comum: não passaram da propaganda do PowerPoint. Não obstante, com custos exorbitantes para o contribuinte.
Hoje, verificamos que empresários de sucesso só o são com o dinheiro alheio, com exercícios de engenharia financeira em que do nada, quais Reis Midas, tudo transformam em coisa nenhuma! Milhões que iriam transformar o País, de facto transformaram… empobrecendo-nos, tornando-nos num país deficitário na sua soberania, na sua vontade de pensar e fazer por si.
Contudo, perante este cenário, que entristece, alguma positividade se perscruta. O que muitos esclarecidos diziam em surdina, nomeadamente, Medina Carreira, Henrique Neto, entre outros, porque o tempo era para os propagandistas de serviço, não era relevante. Eram considerados “catastrofistas militantes”.
Mas a realidade impôs-se. O faz de conta, a espuma das ondinhas que chegam, chegou ao fim, por força da realidade do que verdadeiramente conta. O fim das ilusões de um paraíso de direitos para sempre pode ajudar-nos a perceber um país que pode e deve saber voltar a viver de acordo com as suas possibilidades.
Cumpram os homens do Estado as suas responsabilidades, servindo e não se servindo, e este povo lusitano, que novos mundos ao mundo proporcionou, novamente se erguerá das brumas até à glória.




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