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A recuperação dos verdadeiros valores humanos (19)

A liberdade humana implica o poder de escolha que acompanha o homem continuamente e determina o seu destino na terra. Essa capacidade de escolher adequadamente é que faz de nós um ser diferente e superior a todos os outros, acompanhada, naturalmente, do raciocínio, do pensamento, do senso comum, do bom senso e da experiência.

Artur Gonçalves Fernandes
9 Ago 2012

Nada classifica tão bem o homem como a sua habilidade em selecionar as coisas que são verdadeiramente importantes. E essa escolha criteriosa não é só entre o bem e o mal, mas sim entre o bom, o melhor e o ótimo. Deste poder de escolha depende o sucesso ou o insucesso da vida humana, consoante ele for correto ou desadequado em relação à natureza e ao destino do homem.
A escolha inteligente implica um sentido realista dos valores e das proporções, tornando-se num processo de aceitação, por um lado, e de rejeição, por outro, que começa na infância e só termina no momento da morte. As opções têm que ser tomadas na altura certa para evitar desvios que poderão tornar–se irreversíveis orientando, nesse caso, o homem para vias indesejáveis. Como diz o aforismo popular é “desde pequenino que se torce o pepino”.
No entanto, este processo seletivo deve direcionar-se predominantemente para o aperfeiçoa-
mento de cada um de nós no respeitante à sua profissão e aos valores fundamentais humanos, ficando outras vertentes secundarizadas, pois as nossas capacidades, embora enormes, são finitas. Alguns, entretanto, pensam que podem conseguir tudo, deixando-se dominar pela ganância desenfreada, julgando poder abarcar o mundo inteiro, mesmo que, para isso, tenham que humilhar o próximo. A fórmula para uma escolha inteligente exige um profundo conhecimento de nós próprios, bem como uma afirmação da nossa própria maneira de ser. Graciano afirmava: “Aprende a escolher bem. A maior parte da tua vida depende disso. É preciso gosto apurado e bom discernimento, para os quais não basta ser inteligente ou ter estudado”. O discernimento não se adquire nas escolas. Pode aí apenas aperfeiçoar-se e desenvolver-se. Ele é um produto das nossas operações mentais. E se essas operações forem lógicas, o seu critério será bom. Mas se o não forem, será mau.
É certo que a melhor qualidade para a resolução dos problemas é um critério judicioso lógico. O discernimento apura-se com as dificuldades que nos forçam a pensar, a recordar, a fazer novos projetos, a formular hipóteses, a tentar prová-las, a fazer experiências, a observar resultados e, por fim, a tomar resoluções, chegando às ilações previstas e desejáveis. Nós, quando raciocinamos, devemos partir do que já sabemos e usar a lógica. No entanto, não podemos ignorar que, antes de chegarmos às conclusões, devemos contar com os imponderáveis que poderão surgir. É que a verdade será sempre a verdade, não lhe interessando a ignorância, a descrença ou a recusa de aceitação, venham elas donde vierem. Jean Guitton, professor de filosofia da Sorbonne, diz: “O supremo bem do homem, de acordo com os sábios, está no aperfeiçoamento do seu raciocínio até alcançar o máximo grau de pureza, em aprender a pensar como deve ser, e em cultivar um bom intelecto, pois todas as nossas desventuras nascem da nossa incapacidade para fazer as escolhas convenientes”.
É por isso que tudo o que vemos ou fazemos menos racionalmente, pode influenciar-nos negativamente. Quando se assiste a filmes de terror ou pornográficos e afins, muitas pessoas não se apercebem (ou não querem aperceber-se) de que tais situações vão influenciar a sua mente que as irá alimentar e produzir os seus efeitos nocivos, como os casos desviantes que ocorrem pelo mundo e nos parecem impossíveis. Os nossos cérebros são impressionáveis e raramente esquecem imagens negativas ou degradantes. Nestes casos, o homem está em guerra consigo próprio e a autrodestruir-se. Os grandes prémios da vida não saem ao homem mais brilhante, mais esperto, mais inteligente ou mais instruído, mas sim ao mais equilibrado e mais sensato, mental e humanamente falando.




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