Fotografia:
A Nova Evangelização 1

«A nova evangelização para a transmissão da fé cristã» é o tema da sessão do Sínodo dos Bispos, que se realiza em Roma de 7 a 28 de outubro. O texto elaborado para a sua preparação ­– os Lineamenta – salienta a urgência dessa nova evangelização, uma vez que «vivemos numa época de profunda secularização».

Silva Araújo
9 Ago 2012

Os Lineamenta deram origem ao Instrumento de Trabalho (Instrumentum Laboris) que nos números 12 e 13 salienta a necessidade desta nova evangelização, recordando palavras de Paulo VI e de João Paulo II.
Perante a contínua difusão do indiferentismo, do secularismo e do ateísmo, «só uma nova evangelização poderá garantir o crescimento de uma fé límpida e profunda».
A vocação missionária da Igreja leva-a a anunciar aos homens de hoje, numa linguagem de hoje, através dos meios de hoje e com os métodos de hoje, a Boa Nova de sempre. A buscar no Evangelho pontos de reflexão para o que prende a atenção do homem de hoje. Leva-a a preocupar-se não apenas com os que ainda não conheceram Jesus Cristo, mas também com os que, tendo-O conhecido, vivem em sociedades que cada vez mais dEle se afastam.
 
A evangelização é um dever de todos os cristãos. «O cristão e a Igreja ou são missionários ou não são nada. Quem ama a sua fé preocupa-se também em dar testemunho dela e levá-la aos outros permitindo que possam participar dela», lê-se no número 10 dos referidos Lineamenta.
«A transmissão da fé, diz o número 12, não é uma tarefa para especialistas». «Quem verdadeiramente encontrou Cristo, acrescenta o número 24, não pode guardá-Lo para si; tem de O anunciar».
O referido Instrumento de Trabalho, no número 11, lembra ter a Igreja «a tarefa de continuar a missão evangelizadora de Jesus Cristo, tornando-a presente e atual, dentro das condições do mundo de hoje». E a Igreja somos todos os que aderimos a Jesus. Pelo que a evangelização não é apenas dever de bispos e presbíteros, mas de cada cristão batizado.
A evangelização «não se reduz a uma simples ação entre tantas, mas, no dinamismo eclesial, é a força que permite à Igreja viver o seu objetivo: responder ao chamamento universal à santidade»
E porque se evangeliza sobretudo com a vida, a nova evangelização «compromete todos os sujeitos eclesiais (indivíduos, comunidade, paróquias, dioceses, conferências episcopais, movimentos, grupos e outras realidades eclesiais, religiosos e pessoas consagradas) a uma verificação da vida eclesial e da ação pastoral, assumindo como ponto de análise a qualidade da própria vida de fé, e a sua capacidade de ser instrumento de anúncio, segundo o Evangelho» (Instrumento de Trabalho, 77).
 
A nova evangelização nasce ainda da consciência de se evangelizarem de novo povos que, um dia evangelizados, são hoje comunidades onde o cristianismo definha.
A secularização entrou também na vida dos cristãos e das comunidades eclesiais. «As caraterísticas do modo secularizado de entender a vida confirmam o comportamento habitual de muitos cristãos«, como adverte o n.º 53 do citado documento. «A ciência e as tecnologias correm o risco de se tornarem os novos ídolos do presente» (n.º 58).
A nova evangelização é, também, uma das preocupações desta nossa Igreja Bracarense onde a ignorância religiosa é um facto e a vivência cristã, pelo que as manifestações externas permitem entrever, está aquém do desejável.
 
Mas «a tarefa da evangelização encontra-se diante de novos desafios, que põem em causa práticas consolidadas, enfraquecem percursos habituais e já padronizados; numa palavra, obrigam a Igreja a questionar-se de modo novo sobre o sentido das suas ações de anúncio e de transmissão da fé».




Notícias relacionadas


Scroll Up