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Um olhar em redor

Vivemos presentemente num mundo onde tudo é urgente. A vida decorre com rapidez. Longe vão os tempos em que as tradições familiares se herdavam geração após geração. De resto, a referência ao passado é sempre um ato de criação e faz bem deixarmo-nos embalar, de vez em quando, nas asas do sonho, rememorando intimamente normas, princípios, hábitos salutares, agora postos de lado ou mal observados.

Joaquim Serafim Rodrigues
8 Ago 2012

É verdade que as pessoas não crescem, simplesmente, mas amadurecem e mudam, devendo cada estádio de vida ser aceite e vivido em toda a sua plenitude, salvo contrariedades difíceis de superar, tais como falta de saúde, problemas graves de ordem familiar, etc.. Poderia juntar a tudo isto a falta de meios que afeta, atualmente, a maior parte dos nosso concidadãos, muitos dos quais mal conseguem sobreviver face à tremenda crise que avassala o nosso país.
Deixemos, entretanto, ao menos momentaneamente, estas agruras do quotidiano e, tendo em vista o meu raciocínio exposto no parágrafo anterior, sempre direi que há, ou deveria haver, um limite para tudo. Um exemplo: em nossas casas, hoje em dia, à hora das refeições, raramente nos encontramos todos juntos e, se tal acontece, já mal se conversa (as exceções apenas confirmam a regra), nem nos ouvimos uns aos outros. A televisão, sempre ligada, opera uma divisão no seio familiar, interferindo nesse convívio outrora proveitoso, salutar e reconfortante.
Daqui, e perante esta situação, poderemos partir para outro tipo de considerações em torno do conceito em que é tido, por muitos, aquilo que designamos por maturidade, atribuída por vezes sem o menor rigor a determinadas pessoas por nós consideradas adultas, o que não é bem assim. Nunca se é completamente adulto. A maturidade é, ou deve ser, um ideal a procurar incessantemente, não bastando, para ser adulto, ter uma determinada idade – há adultos com 16 anos e crianças com 40. É claro que excluo aqui todos aqueles que enfrentam, infelizmente, as já referidas contrariedades.
Posto isto, acrescentarei que o caminho para a maturidade é diverso de pessoa para pessoa, estando relacionado com o seu temperamento, cultura, ambiente em que a mesma se desenvolveu, etc.. Assim, o adulto, como tal considerado, é capaz de ter uma ideia de conjunto sobre as realidades e os acontecimentos, estando atento àquilo que os outros pensam ou dizem, aceitando mudar de opinião quando vê que esses outros têm razão. Estuda e faz reflexões pessoais sobre o que lê e observa, independentemente de ser agradável ou não, desde que preze a sinceridade e a sua boa intenção. Deve, também, gostar de conviver e dar-se bem com os outros, sem egocentrismos, e refreando qualquer tipo de agressividade. Não se possuindo estes dotes, nem, ao menos, procurando alcançá-los, dificilmente se obstará àquelas situações já referidas, quer no âmbito familiar quer nas relações em sociedade, inevitáveis e decisivas, muitas vezes, tendo em vista o próprio futuro.
E acho que chega, por hoje, prezado leitor, pois há que respeitar igualmente o espaço atribuído aos demais, parecendo-me ser este, também, um outro conceito de maturidade. Ou não?…




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