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Trabalhar ‘só’ a partir dos 18 anos!

Com o prolongamento da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano, as escolas passarão a ter ‘obrigatoriamente’ alunos com uma espécie de mínimo etário com dezoito anos. Deste modo, segundo a opinião do Conselho Nacional de Educação (CNE), deverá ser ajustada também a idade legal de acesso ao trabalho, que era, anteriormente, de dezasseis anos, passando a ter aquela idade (18) como referência.

6 Ago 2012

Numa ‘sapiente leitura’ deste alargamento de tempo em escolaridade, o CNE alerta para a necessidade de que haja condições em ordem a receber um grupo ‘mais heterogéneo’ de estudantes nas escolas – o leque etário será de mais de dez anos de diferença! – podendo surgir, no entendimento deste organismo oficial, um aumento do insucesso escolar e mesmo de indisciplina e absentismo.
Que seja necessário dar mais tempo aos jovens para crescerem na sua escolarização, não temos dúvida, mas fazer depender deste tempo de andar na escola – podendo ir até aos dezoito anos – a impossibilidade de entrar no mundo do trabalho parece-nos, no mínimo, ridículo ou mesmo abusivo.
– Quem irá fazer adquirir hábitos de trabalho, segundo as suas capacidades, a pessoas habituadas à preguiça, senão militante pelo menos tolerada?
– Quem irá fazer vergar ao trabalho, que custa e exige sacrifício, quem terá podido viver na letargia de uns pais complacentes com o deixar andar sem responsabilidades no custo da vida ou de um Estado conivente com o viver do trabalho alheio?
– Quem fará gostar de ganhar a vida participando nas conquistas, quando poderá exigir que lhe sustentem os vícios – legais, ilícitos ou até criminosos – com mezinhas de estudar sem gosto, arrastando-se pelos recreios das escolas ou gastando os fundilhos em cafés e salas de diversão nas imediações dos estabelecimentos escolares?
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Dá a impressão que esta decisão de estender a escolarização obrigatória até ao 12.º ano, com o impedimento de poder trabalhar quem o desejar dentro desse quadro etário, não teve em conta o país real em que vivemos, mas só lê as coisas do esconso do seu gabinete. Talvez se pretenda fazer baixar o desemprego entre os mais novos, ‘ocupando-os’ com a escola e, assim, daremos uma boa impressão, maquilhando a realidade e iludindo os incautos.
Se formos ver alguns dos grandes empresários/patrões deste país, pelo menos em certas épocas da nossa história e em regiões menos favorecidas, perceberemos que foram, sobretudo, homens (menos casos de mulheres) que começaram a trabalhar muito cedo – título ‘self made man’ – e foram gerando pequenas riquezas à custa de sangue, suor e lágrimas, que investiram em favor de outros, dando-lhes sustento e salário.
Muitos dos bem-falantes e escolarizados de certas cidades e capitais de interesses não passaram de oportunistas cujo sucesso se antepôs ao trabalho, não pelo mérito, mas pelo favorecimento partidário, lóbi autárquico ou gabinete corporativo.
Não deixa de ser significativo que poucos ou nenhuns senhores do sindicalismo tenham feito alguma empresa, mínima ou de média capacidade, para darem o pão a ganhar a outros. Pelo contrário, muitas empresas feitas com sacrifício foram vilipendiadas por reivindicações, por exigências e por tropelias da mais diversa índole, deixando milhares no desemprego, à fome e rezingando contra quem os terá iludido com promessas vãs e sonhos inúteis.
Parece ter chegado a hora de acordar de tantas mentiras! Parece que temos de abrir os olhos sobre quem nos defende ou se defende! Parece que já não há dúvidas sobre quem está interessado em fazer o país avançar sem ser sobre os calos alheios! Somos um país digno ou pretendemos continuar a ser uma espécie de preguiçosos em casa e trabalhadores só no estrangeiro?




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