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O envelhecimento ativo na Europa

Há 100 anos, a população da Europa representava 15% da população mundial. Em 2050, esta percentagem deverá estar reduzida a um terço. A idade média da população na União Europeia, que em 2004 era de 39 anos, prevê-se que seja, no ano de 2050, de 49 anos.

Silvia Oliveira
5 Ago 2012

Estamos a assistir, pela primeira vez na história da humanidade, a uma inflexão demográfica nos países desenvolvidos, devido ao aumento exponencial da esperança média de vida. Em Portugal, por exemplo, em 70 anos aumentámos em quase 30 anos a nossa esperança de vida, passando de 51,43 anos, em 1990, para aproximadamente 79,57 anos, em 2009. É também uma causa deste fenómeno a explosão da natalidade, no período pós-II Guerra Mundial. Esta explosão foi, em parte, explicada pelo termo da guerra e pela melhoria das condições de vida e do emprego. Só na Europa, um terço da população nasceu no período compreendido entre 1946 e 1964.
Em Portugal, a explosão de natalidade foi ainda mais acentuada, uma vez que 43% das pessoas nasceram entre 1946 e 1964. Entre outras situações, aponta-se, ainda, a redução significativa da natalidade e o adiamento da fecundidade, como mais um motivo da inflexão demográfica que vivemos. Na União Europeia cada mulher tem, em média, 1,2 filhos, número inferior aos 2,1 filhos necessários para manter a população no mesmo nível, o que tem efeitos negativos no crescimento populacional, uma vez que há mais mortes do que nascimentos (a partir de 2015 o número de óbitos na UE será superior ao de nascimentos). Em Portugal mais de 30% das mulheres têm apenas um filho, média que se aproxima muito dos restantes países europeus, 1,4 filhos por mulher. Esta diminuição da natalidade altera o funcionamento do mercado de trabalho, dos sistemas de saúde e dos regimes de reforma.
Nesta realidade, também, sabemos que o incentivo à fecundidade constitui o principal mecanismo de inflexão do envelhecimento, apesar de os países europeus mais generosos na atribuição de subsídios para a promoção da natalidade não conseguirem atingir o limiar de renovação de gerações (2.1 filhos por mulher); que cerca de 3,7% da população da União Europeia é composta por cidadãos não europeus, sendo necessários cerca de 56 milhões de imigrantes até 2050; que o epicentro da economia europeia está na população idosa, que vê a sua reforma retardada e redefinida, intentando-se após os 60 anos mudanças que podem vir a assumir novas formas de produtividade.
Enfim, sabemos que estamos perante uma nova revolução demográfica que será implacável para as economias, as instituições e as pessoas. Por isso, à medida que o visual demográfico da sociedade europeia atual se vai alterando, resta-nos apenas admitir que, quanto mais tardio for o reconhecimento desta realidade, maiores serão as dificuldades de adaptação e maiores serão os entraves aos novos modelos de vida e aos novos planos de produtividade e rentabilidade.




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