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Por onde passam os santos, Deus passa com eles

No ano de 1772, um santo mendigo, Bento José Labre, passando por Dardilly, hospedou-se na humilde casa dos Vianney. A bênção de Deus entrou com ele naquela casa; pois poucos anos depois, nasceu lá aquele que no mundo inteiro é conhecido por João Vianney – o Santo Cura d’Ars.

Maria Fernanda Barroca
4 Ago 2012

João Batista Maria Vianney nasceu e foi baptizado a 8 de maio de 1786. Desde a infância, manifestava uma forte inclinação à oração e um grande amor ao recolhimento. Muitas vezes, era encontrado num canto da casa,  rezando, de joelhos, as orações que lhe tinham ensinado: o Padre-Nosso, a Ave-Maria, etc. Os pais, principalmente a piedosa mãe, Maria Belusa, cultivavam no filho esse espírito de religião e de piedade.
A França sofria com os horrores da revolução e como os sacerdotes estivessem exilados ou encarcerados, não foi possível a João Vianney encontrar um mestre que lhe desse algumas instruções sobre as ciências elementares. Era natural, pois, que passasse a mocidade entregue aos trabalhos do campo. Entretanto, João continuava as práticas de piedade com todo o fervor, e o pecado era para ele coisa conhecida só de nome. Fez a primeira Comunhão numa quinta, porque a perseguição religiosa não permitia o culto público nas igrejas.
Passado o tempo mais conturbado, um amigo e protetor, o Padre M. Balley, vigário de Ecully, descobriu na alma de João qualidades superiores, que deviam ser aproveitadas e cultivadas, para a maior glória de Deus.
Se era grande o fervor, admirável a virtude do jovem Vianney, se melhor mestre não podia haver do que o Padre Balley, tudo parecia desfazer-se diante de uma barreira que se levantava insuportável: João não tinha grande inteligência. Se não fosse a persistência  do sacerdote, Vianney teria desanimado, diante das dificuldades que se lhe afiguravam invencíveis. Com as orações e a caridade redobrada que dispensava aos pobres, Vianney alcançou a graça de poder continuar os estudos com algum proveito.
Quando estava prestes a ser recebido no seminário, veio-lhe ordem de apresentar-se à autoridade militar de Bayonne. Falharam os esforços do Padre Balley para obter isenção do serviço militar, para o seu protegido e pareciam perdidas todas as esperanças. Vianney, caiu doente e passou catorze meses nos hospitais de Lyon e de Roanne.
Passado esse tempo, ninguém mais se lembrou dele para o serviço militar e só assim pôde matricular-se no pequeno Seminário de Verrières e, mais tarde, no grande Seminário de Santo Irineu. Mestres e alunos eram unânimes em reconhecer as virtudes de Vianney, mas o nível intelec-
tual do jovem, porém, era tão deficiente que os mestres não se viram com coragem de apresentá–lo para a ordenação.
O vigário geral do Cardeal Fesch, Mons. Courbon, que, em última instância, devia decidir a questão, deu consentimento para que Vianney fosse admitido ao sacerdócio e o jovem teólogo recebeu as santas Ordens a 9 de agosto de 1815. Vianney contava já 29 anos.
Tendo falecido o seu mestre, o padre Balley, a Cúria episcopal nomeou Vianney para pároco em Ars. Ars era um lugar sem religião. A Igreja deserta, os sacramentos não eram frequentados, não se respeitava o domingo, a frequência de bailes e cabarés estava na ordem do dia. Vianney, vendo o estado das coisas, teve ímpetos de abandonar tudo. Mas logo o seu zelo se reanimou. Fixou residência na matriz e a sua primeira ocupação era rezar pela conversão dos paroquianos. De manhã à noite, com pequenas interrupções, ficava de joelhos diante do altar do Santíssimo Sacramento.
Depois começou a procurar as famílias. Nas visitas falava-lhes de Deus, dos Santos, das coisas da religião. Se bem que a maior parte não lhe ligasse importância, um ou outro reparava, na modéstia e piedade, no aspeto austero e mortificado do vigário. Pouco a pouco, o povo começou a frequentar a santa Missa e os demais sacramentos.
Então, Vianney passou a combater os abusos. Sem recorrer a meios rigorosos e ameaças, Vianney conseguiu que os cabarés fechassem. Restava ainda restabelecer o domingo, em toda a sua dignidade. Tão frequentes, tão insistentes e persuasivas eram as exortações do vigário, a respeito do trabalho no domingo, que o povo passou a viver o dia do Senhor. Ars estava renovada. O confessionário “funcionava”, até altas horas da noite, com gente que vinha às centenas de diversos pontos de França. O segredo dos grandes resultados espirituais, na paróquia de Ars, estava unicamente na santidade do cura. Vianney era homem de oração e de penitência.
Vianney morreu a 4 de agosto de 1859, mas a sua memória ainda está viva e o túmulo tornou-se lugar de romagem. Declarado “venerável” por Pio IX, em 1925, foi canonizado pelo Papa Pio XI. É o padroeiro dos párocos.




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