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Assassinadas sem culpa nem julgamento

Ainda não tinha passado lá, embora lesse e ouvisse contar o acontecimento. Já sabia, portanto.E a verdade é que éramos velhas amigas, pois já as conhecia desde os meus dez ou onze anos, quando vim para Braga frequentar o primeiro ano do liceu.

Maria do Céu Nogueira
4 Ago 2012

Daí a minha pena e afirmar, como o Diácono Remédios inventado por Herman José, “não havia necessidade”. E choro por elas, como choro por cada árvore que vejo trucidada pela insensibilidade humana, pelas tempestades naturais ou pelo fogo de que só o homem é o único culpado. Neste momento, falo das laranjeiras da Senhora-a-Branca. Eram lindas, não estorvavam, muito pelo contrário, embelezavam, refrescavam e perfumavam os ares de uma cidade que vai, a pouco e pouco, cheirando apenas a alcatrão. O seu centro, o espaço a que nos habituámos a considerar como tal: frente da arcada, parte da Av. Central, Av. da Liberdade, está transformado numa eira onde a pedra, aquecida pelo sol, queima os pés de quem por lá passa.
Em Abril, nas minhas andanças culturais neste santo país que tanto despreza a cultura, calhou de ir parar a Vila Nova de S. Bento, a alguns quilómetros de Serpa, uma terra pequena, airosa e afável. As suas ruas, condizentes com o seu tamanho, pequenas também, mas plantadas de laranjeiras de um lado e do outro. Abril, Primavera alta e toda a vila aromatizada por flores de laranjeira! Que beleza! Que estranha emoção!
Quanto às nossas, nem cheiro, nem cor, nem beleza, nem emoção! Apenas desolação. E assim se põe termo a vidas que, além de felizes, transmitiam felicidade.
Ninguém deve estranhar, portanto, que Braga jamais seja a capital de qualquer coisa conseguida com empenho, gosto, amor ao tradicional, ao genuino, e não com ardis políticos que somente interessam a quem deles beneficia. A Aspa mostra-nos no DM da passada segunda-feira o que Braga poderia ter sido e jamais será. Pena, muita pena, sobretudo para quem ainda hoje se interessa por esta terra milenar que quase nos viu nascer, bem como a muitas gerações. Os vindouros, esses, não quererão saber de nada.
Há ainda a esperança de que venhamos a ter o parque da cidade nas Sete Fontes. Quando me disseram que ele ia ser feito no alto do Monte Picoto, fiquei tolhida de medo e não acreditei.




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