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Outro Ponto de Vista…

Reconheço em alguns nobreza de caráter, mesmo quando as relações pessoais nem sequer tinham qualquer tipo de intimidade, se mais não fosse, por força da diferença de percursos e de idades. Hoje quero prestar a minha homenagem ao Eng.º Eurico de Melo, personalidade que tive a honra de conhecer e ter sido em sua casa recebido com a gentileza própria dos homens de bem.

Acácio de Brito
3 Ago 2012

Uma nota prévia de contextualização: conterrâneo e contemporâneo nos estudos liceais de minha Mãe, militou, política e partidariamente, em áreas ideologicamente distintas das minhas.
Não obstante, sempre lhe reconheci três caraterísticas basilares em política e na vida: seriedade, lealdade e honestidade intelectual.
Seriedade porque, quando entrou na política ativa, tinha um percurso profissional e académico que o colocou ao serviço do bem público.
Lealdade na firmeza com que se entregava na defesa de quem acreditava e, mesmo na saída, nunca se lhe ouviu publicamente reparo algum.
Honestidade intelectual bem demonstrada pela coerência com que sempre defendeu os seus pontos de vista, nomeadamente, a defesa de uma regionalização que não secundarizasse os interesses da sua região Norte.
Seriedade, lealdade e honestidade conceitos humanos que tanta falta nos fazem nos nossos públicos representantes.
Contudo, nunca deixou de ser amigo dos seus amigos, nomea-damente, em momentos menos agradáveis!
Recordo, ainda, a forma firme como sabia discordar. Lembro-
-me da maneira generosa como defendia o que julgava ser a melhor opção, tanto para o Norte, no tempo, como para o País, no mesmo momento, de modo complementar.
Até podíamos discordar do que o Senhor Eng.º Eurico de Melo defendia e, com a entourage, mas o considerado vice-Rei do Norte não se escondia atrás da intriga bacoca e paroquial.
Retorquia, defendia o seu ponto de vista. Todo ele era política na mais nobre das suas aceções.
Quando, hoje, vemos alguns que da política têm uma visão utilitarista, particularista, o exemplo de políticos como aquele que partiu remete-nos para uma reflexão. Afinal nem todos são iguais. Existem uns, outros, que não precisam da “manjedoura orçamental”. Têm vida para além de uma vida partidária.
Eurico de Melo era um político porque podia e sabia dizer não! Tão incomum nos tempos que correm.
Era um homem de convicções. Serviu a sua terra, as suas gentes.
Obrigado, Eng.º Eurico de Melo.




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