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Falar de palavras

Insisto em livro para estas Crónicas. Faço apologia da Leitura e incito a LER. A obra escolhida motiva e corrige o acto de ler e escrever em português. É do Prof. M. dos Santos e sustentou coluna com essa designação no JN. O livro deve-se à Lello Editores, 1942, actualizado em 1992. Não entro em pormenores. Recomendo-o a quem importa a Língua Portuguesa, a Pátria, vendida a quem mais deu.

Gonçalo Reis Torgal
3 Ago 2012

Falar de palavras decorre do ataque, até no DM, à ousadia de D. Januário fazer ouvir Voz da Igreja face à iniquidade da acção governativa do Dr. Coelho Passos Pedro apoiado no Amigo e companheiro de longo nada fazer, Pepe el Rápido das licenciaturas, vergonha da Universidade que o licenciou, da gaguez pedagógica do Ministro Gago e Universidades pouco sérias, dispostas a subornar Ministros (primeiros ou segundos, desde que poder) e corromperem Governos para favores a haver. Assim, é claro que, ao falar de Governo corrupto, D. Januário não fez afirmações infundadas como sugeriu o Ministro da Defesa. A verdade proclamada por D. Januário, que insistem em não ser Voz da Igreja, funda-se nas palavras. Coisa que, por ignorância ou má fé, ninguém quis ver. O sentido de suborno não é unívoco. Di-lo qualquer dicionário. Corrupto: Que sofreu corrupção; que se fez ou deixou subornar; deteriorado; podre, corrompido ou estragado, adulterado; desmoralizado; devasso ou depravado; errado; linguagem corrupta.
Partamos do fim. A linguagem do governo é corrupta, não só porque, “subornado” pelo poder das Editoras, nada fez para deter o vexatório Acordo Ortográfico que nenhuma lei obriga – só a subordinação errada (“corrupta”) ao poder estranho. Acresce que a linguagem é corrupta por mentirosa. Mentirosa por faltar à verdade, logo depravada, não só por sem ética (desmoralizada, não imoral – que é – mas sem moral), por contrária às “garantias” pré-eleitorais, mas por tomar os portugueses em abusiva extensão Universal,
O governo é corrupto, por, corrompido, não saber da fortuna da D. Adelaide; mordomias de Sócrates no “exílio”; Paxás do BPN, nacionalização e venda ao desbarato; das corruptas ligações de políticos às sucatas de Aveiro; ruinosos contratos de Paulo Campos nas SCUT; venda, por metade do valor real, do Pavilhão Atlântico, por acaso, a um genro do venerando Chefe de Estado. Impotente ou conivente o PGR abandona casos notórios de corrupção – Free Port – que a “Justiça” (?) absolve mas a consciência pública condena – e suspende tudo que envolva políticos. O governo está podre (corrupto) ao nomear assessores recém-saídos da Universidade, a ganhar mais do dobro de quem se gastou, 40 anos a trabalhar para o Estado – mais do que um general. Corrupto por conivente com os escandalosos vencimentos nas PPP, na Banca ou Empresas do Estado. Por permitir a falta de vergonha dos patrões da RTP (salários ali pagos dariam para três hospitais) manterem os principescos vencimentos. Isto despachado pelo “dr” Relvas, que se previne, como na ERC, para o que der e vier. RTP que ignorou a homenagem a Amália, no Panteão Nacional, primando pela ausência. 
É tal a corrupção no poder, não necessariamente no Governo, que a OCDE afirma que sem ela estaríamos ao nível da Dinamarca. Podridão está – disse-o à SIC Tiago Caiado Guerreiro – no «Termos normas que tornam totalmente impossível apanhar um corrupto em Portugal. As normas são feitas exactamente para não ser possível apanhar as pessoas em situação de corrupção e não se conseguir provar em tribunal.” Se o Governo não produz leis para combater a corrupção – como insiste o jurista – mas “normas de branqueamento dessa mesma corrupção”, que é se não CORRUPTO em plena acepção do termo? Mas a indigência, o estar adulterado já não prestar, por corrompido ao poder económico, exemplifica-se (sem que se insurgisse o Ministro da Defesa, nem o Comandante Geral das Forças Armadas) com a sabuja actuação do Primeiro Ministro em Moçambique. Aí, teve palavras de saudação e louvor para os que morreram lutando contra Portugal, mas ignorou os SOLDADOS PORTUGUESES que ali repousam em Cemitério próprio. Não vejo exemplo que mais comprove ser este Governo, com este Primeiro Ministro, GOVERNO corrupto que não nos serve.
Não se conclua que não haver eu discordância com D. Januário. Antes de mais a pouco feliz expressão com que pareceu absolver o último Governo Socialista – os tão-só “diabinhos”, quando é incontestado o avolumar irresponsável de erros vindos de longe. De anteriores declarações discordo da comparação de Coelho Passos Pedro a Salazar. Sei que, num país onde é proibido louvar (Só se atreveram José Hermano Saraiva e o meu Primo Dr. Nuno Tavares) Salazar pelo quer que seja, cairei em desgraça, mas, sem o isentar de erros, tenho para mim que Vossa Excelência Reverendíssima compara o incomparável.
Estes reparos não inibem o Bem–Haja a D. Januário por, voz da Igreja, protestar contra o estado das coisas. D. Jorge Ortiga também já não calou. António Aleixo já dizia “Só os burros estão dispostos a sofrer sem protestar”.




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