Fotografia:
Verão

Já longe vão os tempos em que, estando de férias no Verão, se ficava perplexo com o aviso de incêndios. Na realidade, estamos agora tão habituados a tal que se associa involuntariamente esta época do ano a tais ocorrências (e, estranhamente, menos a descanso).

Ana Marta Santos
1 Ago 2012

Pessoalmente, magoa-me assistir impotente a este fenómeno ano após ano, sem que nada seja feito para contrariar esta tendência. Estranha-me o facto de alguns incêndios ditos naturais começarem de noite, ou em dias de muito vento. É mais que óbvio o que está por detrás destas ocorrências, mas por alguma razão os nossos conhecidos media nunca referem essa hipótese, ou pelo menos ouve-se falar poucas vezes em tal.
Já não é a primeira vez, infelizmente, que os fogos se aproximam a escassos metros de uma casa de campo da minha família, numa zona de pinhal, na região de Pombal. Acontece, em consequência, que os pinheiros, parte da flora natural das regiões mediterrâneas e de lento crescimento, dão lugar a eucaliptos, após os incêndios. Esta árvore, oriunda da Oceânia, é considerada uma espécie invasora em Portugal e desenvolve-se muito rapidamente, disseminando-se ainda mais depressa. As gentes da terra sabem que onde crescem eucaliptos, nada mais se desenvolve, dado que esta planta absorve muita água dos terrenos assim como minerais. Os resultados são terrenos secos e estéreis que contribuem para a desertificação. No entanto, esta árvore tem uma enorme importância para a indústria da celulose!
Queria fazer referência a estes acontecimentos para incluir o seguinte: se a nova lei sobre reflorestação do território português for aprovada, veremos duas coisas: que a arborização de parcelas até 5 hectares e a rearborização até 10 hectares se poderá dar; e que se poderá usar qualquer espécie vegetal, tudo desde que haja uma comunicação prévia. Ao que parece, até mesmo as áreas agrícolas (que são cerca de 20% do território e, maioritariamente, situadas na área de Lisboa), podem ser usadas no cultivo de qualquer espécie. É, portanto, provável que se assista à proliferação do eucaliptal dado que este é rentável e de rápido crescimento.
Assim, e sem querer saltar para uma conclusão ousada, realço ao leitor como pode existir uma ligação entre os incêndios “naturais da época” e a plantação de espécies de rápido crescimento altamente rentáveis, que é de facto, vergonhoso. Não creio que a nova lei sobre florestação seja uma solução para o problema económico que o país atravessa, e, a longo prazo, tornar-se-á devastadora para o território. Deixo o apelo para a prevenção de fogos, devemos proteger a nossa flora e fauna que nela habita, pois este país é maravilhoso e não temos o direito de o danificar para nosso proveito.




Notícias relacionadas


Scroll Up