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Um político, outro ilusionista e um exemplo do que não deve ser

1 A palavra de Passos CoelhoUm dia destes, já não recordo a data, Passos Coelho, numa reunião partidária, usou a expressão «que se lixem as eleições». Pode não ter sido feliz na verbalização da mesma, mas estou convencido de que não pode ser traduzida como li em vários jornais. Não teve a carga negativa que políticos e comentadores lhe atribuíram, não significa menos respeito pela vontade do povo.

Luís Martins
31 Jul 2012

Pelo contrário. A única intenção foi relevar que entre o partido e o país, se essa fosse a escolha, o segundo seria primeiro. Ao invés da crítica mordaz, o pronunciamento deveria ter merecido um comentário diferente. Seria justo, já que aquela dicotomia denota um sentido de Estado ímpar. Aliás, cada vez mais distante da prática governativa dos tempos que correm e dos que precederam.

É verdade que só o próprio sabe o que lhe ia no espírito, mas acredito que não houve, no caso em apreço, a intenção de desrespeitar os portugueses. Pelo contrário.

2. Novo pregador de ilusões
O líder da oposição anda a pregar a sete ventos que o Governo anda a «cumprir os objetivos da troika», o que não deixa de ser incoerente. O país precisou e pediu ajuda, através do governo socialista, e esta chegou mediante um memorando de intenções e responsabilidades. Ninguém forçou o país, que assinou livremente, sem pressão, estando todos conscientes das responsabilidades assumidas. Apesar disso, as posições do líder do principal partido da oposição têm vindo, progressiva e consistentemente, a ignorar isso. É verdade que não foi ele que assinou o acordo com as instâncias internacionais, mas foi o seu antecessor e correligionário José Sócrates em representação do país. Não se pode, por nos dar na veneta, denunciar unilateralmente o que foi assumido, perante o país e o mundo, ainda mais quando estamos ainda a receber o apoio de que ainda precisamos. E mesmo quando tivermos do lado de cá os 78 mil milhões, não podemos, por tudo e por nada, cair na tentação de incumprir o que prometemos. O verbo de António José Seguro, que aspira um dia a governar o país, deveria ser outro. 

As alternativas de que fala, mas não concretiza – quiçá por constituírem apenas elemento da luta política – são como outras que não têm viabilidade. As alternativas, para serem importantes, precisam de se enquadrarem no
atual contexto de Portugal. Seguro fala como se isso não condicionasse ou o enquadramento fosse um outro, diferente do real. Acontece que este é o de um país em dificuldades, de um devedor até há pouco tempo compulsivo e que agora vai conti-
nuar a precisar de ajuda para se afastar da falência, como de pão para a boca. Em teoria, até poderá haver outros caminhos, mas quanto custam? Durante quanto mais tempo nos manterão dependentes? Que garantias de recetividade por parte dos parceiros credores? Ilusões como estas – pelo menos enquanto não forem especificadas – já nos chegaram com tal fartura com Sócrates que nos tornamos obesos. E isso, não. Nem pensar. Para mais, não creio que Seguro possa fazer o papel do Profeta Eliseu.

3. Degeneração cá pela urbe
Ficamos a saber há uma semana que a Câmara Municipal de Braga é a que, no distrito, mais exige IRS aos munícipes (5%), através do fisco. São cerca de 7,2 milhões de euros que arrecada de um pouco mais de 180 mil bracarenses. Quase tanto, quanto o cobrado por seis das sete câmaras do Vale do Ave (7,4 milhões de euros), apesar do número de cidadãos deste grupo de territórios ascender a quase 405 mil. Os valores cobrados são, em termos médios, de cerca de 40 euros por cidadão em Braga e de menos de 20 euros no conjunto dos municípios do segundo grupo. O mesmo se passa com os encargos com as empresas municipais. Em Braga os encargos são maiores, ascendendo a 9,6 milhões, comparados com os 18,5 milhões gastos pela totalidade dos municípios do distrito. Faz pensar.

Bem sei que não é montante astronómico o que foi conseguido por via do imposto sobre o trabalho dos munícipes, mas é ilustrativo da sofreguidão com que a Câmara Municipal arrecada o dinheiro dos contribuintes para o gastar no que não deve. A propósito do projecto “Regenerar Braga”, são vários os locais a sofrer intervenção urbanística de muito duvidosa qualidade e justificação enganosa. Mais espaço para as pessoas, quando a intervenção prejudica o convívio destas e se decepam árvores a eito, como no Largo da Senhora-a-Branca? Abater árvores, destruir a imagem de históricos espaços da cidade sempre caracterizou a gestão socialista do município bracarense. A ditadura do betão, primeiro, e da pedra, agora, são responsáveis, não pela regeneração, como diz o município, mas pela degeneração de vários espaços da cidade, nomeadamente, da zona histórica. A quem interessa? À cidade e aos cidadãos, não.




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