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Oitenta não é demais

A lei da vida, essa linha que percorremos durante dias, meses e anos, “afirma” que, aos oito, somos crianças, estamos na idade da brincadeira, ainda temos o mundo para descobrir e muito por que passar; e aos oitenta, já não temos muita utilidade, estamos velhos, acabados. Apesar da vasta experiência de vida, a idade é o peso mais pesado. Será esta a verdadeira maneira de olhar para os extremos?

Inês Henriques
31 Jul 2012

As crianças podem, de facto, ensinar-nos muitas coisas ao verem tudo tão ingenuamente, não havendo maldade em nada e realçando sempre o lado bom de tudo o que as rodeia. E os idosos? Poderão estes seres cansados e acabados ensinar algo de útil à sociedade? Certamente, perguntas com respostas óbvias. Nem precisavam de ter mesmo uma resposta. Claro, de certeza, sem dúvida alguma, os idosos são a mais-valia da sociedade. Foram eles que construíram aquilo que hoje tomamos por garantido. Foram eles que batalharam e sofreram por coisas a que, hoje, até podemos nem dar muito significado. Eles são a nossa história.
Sociedade do século XXI, aconselho vivamente a passar umas horinhas, apenas uma mísera parte da vossa longa vida, com alguém que já passou dos oitenta. Aprendemos coisas, vivenciamos histórias de vida, ajudamos e somos ajudados, sentimo-nos ínfimos e, ao mesmo tempo, um desejo enorme de, no futuro, nos tornarmos tal e qual estes seres, pessoas que podem realmente dizer: «Eu passei pelos oito, pelos oitenta, vivo com todas as minhas forças, sou feliz, alegre e hei-de deixar uma bonita história para vocês, jovens, poderem mais tarde recordar».
Acreditem, fazer voluntariado num lar de terceira idade é uma autêntica montanha russa de emoções.




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