Fotografia:
Nélson Mandela, um ícone para a eternidade

Nélson Mandela, um dos mais queridos e respeitados líderes mundiais celebrou, no passado dia 18 de julho, 94 anos de idade; assinalada em toda a África do Sul, com o tradicional “parabéns a você” cantado pelos estudantes, esta data é também reconhecida pela ONU, como o dia de Mandela, ( “Mandela Day”).

Domingos Alves
29 Jul 2012

Se há homens que merecem o estatuto de excelência entre os heróis de qualquer tempo e idade esse é, sem dúvida, Nélson Mandela, o “Madiba”, como carinhosamente é apelidado pelo seu povo este grande Prémio Nobel da Paz. Com efeito, é um verdadeiro privilégio para a Humanidade contar, felizmente ainda entre os vivos, com essa figura ímpar que durante 67 anos dedicou a vida à construção de um mundo melhor, lutando sem desfalecimentos pelos direitos de todos nós. Foram anos e anos de cativeiro, sem queixas ou azedumes, a não ser os que resultavam da sua revolta interior, aliás tão esclarecidamente silenciosa para os mais incautos inimigos da liberdade, face a um ideal que, através de “vontade de ferro”, “integridade sem limites” e “humildade “ cativante, nele medrava, dia após dia, em cela pequena de mais para a grandeza da sua alma!
António Mateus, jornalista da RTP que no passado dia 17 de julho lançou o livro “Mandela – A Construção de Um Homem” afirma, num misto de respeito, afeto e profunda admiração, que “ninguém sobrevive incólume a andar dez anos ao pé de um ser humano como Mandela” (…), verdadeiro “motor de luz”… que transformou a “adversidade em oportunidade”… “Ele mudou a minha maneira de estar na vida e no mundo” – Diário de Notícias, de 17 de julho de 2012.
Eleito presidente em 1994, o “pai” da democracia na África do Sul foi objeto de uma bela reportagem do citado jornalista na RTP Informação de 17 de julho findo, “Nélson Mandela: Os Caminhos da Liberdade”. Aí foram apresentados testemunhos de individualidades várias, nomeadamente Desmond Tutu, igualmente outra das grandes figuras da luta antiapartheid; Frederik de Klerk, antigo presidente sul-africano que ordenou que ordenou a libertação de Mandela, e ainda Cavaco Silva, na altura 1.º ministro de Portugal.
Homem impoluto e de forte caráter, nunca Mandela “atirou pedras”, ou lançou impropérios aos seus detratores, mesmo quando alguns possivelmente o esperassem logo na primeira oportunidade… antes preferindo a voz do silêncio recriminador, quando não a palavra amiga no tom sereno e conciliador, sua verdadeira imagem de marca. Firme nas convicções, persistente na luta, rigoroso na estratégia, mas sempre disponível e tolerante para o diálogo, Mandela congregou à sua volta a unanimidade de todos aqueles que, em detrimento dos malefícios do ódio, da vingança e dos horrores da guerra, sempre aspiraram aos ideais da democracia, da paz e da concórdia.
Finalizo com Viriato Soromenho Marques que, ao evocar o aniversário de Nélson Mandela, o coloca ao nível de outro grande líder mundial, Mikhail Gorbachev, nos seguintes termos: “Na passagem dos 94 anos de Mandela, ou ao evocarmos Gorbachev, salientamos os papéis de dois cidadãos que ousaram exercer a liderança política, mudando positivamente o curso da história. Com visão, coragem, caráter e desprendimento. É assustador pensar o que teria sido do mundo em 1985, ou da África do Sul na década de 90, se em vez de Gorbachev em Moscovo, e Mandela em Pretória, esses paí-ses tivessem tido como líderes alguém com o perfil dos atuais membros do Conselho Europeu.  Muito provavelmente, em vez da “perestroika”, teríamos vivido uma grande conflagração bélica e, em vez da reconciliação, teríamos visto a África do Sul devorada por uma cruel guerra civil racial…” – Diário de Notícias, 19 de julho de 2012.




Notícias relacionadas


Scroll Up