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Onde está o essencial

Somos um povo com uma história. Possivelmente, temos também consciência de que cada vez são menos, hoje, os que a conhecem. Mas será que faz sentido perguntar de quem é a culpa? Alguns dirão que não faz falta, da mesma forma que as alterações no ensino, as novas metodologias ensaiadas durante vários anos, continuam a suscitar dúvidas enquanto se discute, ainda, o novo acordo ortográfico e o ensino do Português e da Matemática em alguns anos do ensino!

J. Carlos Queiroz
28 Jul 2012

Também os exames e as avaliações e, pasme-se, mesmo no ensino superior, o processo chamado de Bolonha não é pacífico e continua a constituir motivo para debates e a suscitar limitações no acesso ao trabalho, como se fossem os novos licenciados os responsáveis, ou a licenciatura, nestes termos, não fosse uma realidade na Europa. Portugal tem tido opções políticas tomadas por sucessivos Governos certamente com a melhor das intenções e mesmo sem o combate ideológico do passado. Continuamos a ter uma ideia sobre a forma como os principais partidos políticos se posicionam, isto é, que valores ou princípios norteiam as suas políticas económicas e sociais. Raramente ouvimos os eleitores, mesmo em período de campanha eleitoral, falar ou discutir sobre propostas ou objetivos dos programas apresentados a sufrágio, da mesma forma que, cada vez mais, parece existir uma tendência de voto por simpatia, um género de clubite, como sucede entre adeptos dos clubes de futebol, que entendem que o seu clube é sempre o melhor, jogue bem ou mal.
A própria Constituição, apesar de ser o garante do Estado Democrático, vai sendo contestada em campanha, mas a seguir é ignorada enquanto tudo é feito para obedecer apenas e só a acordos resultantes do Memorando. De repente, cortam-se direitos, altera-se o acesso à reforma, legisla-se para facilitar o despedimento através da flexibilidade que dizem permitirá mais emprego! A confusão na saúde, nos transportes, as greves por explicar aos cidadãos, a luta permanente contra o défice “a qualquer custo”, tudo porque o objetivo consiste numa exigência dos credores, para continuarem a emprestar-nos dinheiro.
 Onde estará o essencial, no ensino, na educação, na saúde, nos cuidados a prestar às crianças e aos idosos, quais as medidas para criar emprego ou desenvolver a economia? Que futuro para os jovens, mesmo para os licenciados e para os mais qualificados para o exercício de serviços em áreas de interesse público? Enfermeiros e, possivelmente, médicos nO desemprego, serão apenas os últimos candidatos ao desemprego num país onde cada vez são mais necessários cuidados de saúde.
A aposta na agricultura também foi palavra de ordem em tempo de campanha eleitoral, porém um olhar em redor, pelos campos e vales deste país, mostra ainda terrenos de cultivo ao abandono. Falamos em parcerias público-privadas e as suspeições de maus acordos para o Estado continuam a ser analisadas enquanto o mesmo Governo foi célere em atacar pensionistas e funcionários públicos a quem reduziu drasticamente os salários. Mesmo na restauração tomaram-se medidas que se sabia iriam ter como resultado desemprego e fecho de empresas.
Todos gostaríamos de ser otimistas. Ninguém deseja viver num país onde a fome e a miséria mostrem pessoas a viver numa pobreza que nos deve envergonhar. Muito menos queremos desmotivar os mais novos para desafios que terão de vencer. Porém, o tempo torna-se escasso para resolver problemas que todos os dias gravitam à nossa volta.
“Onde está o essencial”, é apenas um alerta, um momento de reflexão num tempo de instabilidade social, onde a procura do essencial devia constituir um objetivo político.




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